Buenos Aires, Argentina - O juiz federal Jorge Urso decretou ontem a prisão de dois ex-ministros e dez militares da última ditadura na Argentina (1976-83).
Eles são acusados de participar da Operação Condor - coordenação dos serviços de informação e de repressão das ditaduras militares sul-americanas contra os grupos de esquerda nos anos 70 e 80. Dez outros acusados já estavam presos por outros crimes ligados ao regime de exceção.
Ao tomar conhecimento da ordem, o principal acusado, o general Albano Harguindeguy, ministro do Interior do último regime militar, se apresentou à Justiça. Ele não se pronunciou. O ex-ministro admitiu ter participado da operação num documentário para a TV francesa. ''Fizemos o que era necessário, em cumprimento do dever militar'', declarou ele no filme.
''As Forças Armadas devem dizer ao povo argentino: nós o livramos de ser um país marxista. Reconheço que cometemos erros. Se não cometêssemos erros, seríamos deuses. Que chato seria um país governado pelos deuses, sem pecado, sem delito.''
A determinação de Urso também inclui o ex-ministro do Planejamento Ramón Genaro Díaz Bessone. O ex-ditador Jorge Rafael Videla (1976-81) está preso sob acusação de participar da Operação Condor, entre outros crimes.
As investigações sobre a operação ganharam impulso na Argentina com a anulação, no ano passado, de leis de anistia aos repressores e seus colaboradores sancionadas pelo primeiro governo civil pós-ditadura, o de Raúl Alfonsín (1983-89). A Operação Condor foi revelada em 1992, quando o ex-preso político paraguaio Martin Almada encontrou em Assunção o chamado ''Arquivo do Terror'', com documentos sobre o plano repressivo sul-americano.

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