Cerca de 10 mil manifestantes judeus reuniram-se ontem em Buenos Aires para protestar contra a atuação dos investigadores no caso do atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), há três anos. ‘‘Justiça, justiça!’ e ‘‘Basta de impunidade, castigo aos assassinos!’, gritavam os ativistas. O ataque com um carro-bomba, em 18 de julho de 1994, matou 86 e feriu cerca de 300 pessoas.
A viúva de uma das vítimas, Laura Ginsberg, qualifificou Buenos Aires de ‘‘a capital da impunidade’’ e denunciou as ameaças que têm sofrido os membros do grupo judaico Memória Ativa - que se reúne na frente dos tribunais todas as segundas-feiras para pedir esclarecimentos sobre os ataques contra a Amia e a embaixada de Israel, de 1993.
Laura afirmou que a manifestação demonstrava que a comunidade judaica não tem medo. Disse que o presidente Carlos Menem é ‘‘inepto’’ e acrescentou que ele não tem feito mais do que ‘‘balbuciar desculpas indignantes’’ sobre o caso.
Ministros destacados por Menem para representá-lo na cerimônia foram vaiados e insultados pela multidão. ‘‘Vão embora!’, gritaram os manifestantes. O principal alvo foi o ministro do Interior, Carlos Corach, que além de ser o mais alto responsável pelas investigações, é judeu. A comunidade o vê como um traidor. O bairro onde se localizava a Amia, o Once, já foi seu reduto eleitoral. O ex-presidente Raúl Alfonsín e outros membros da oposição argentina foram recebidos com aplausos.
A manifestação, na frente do edifício atingido, na Rua Pasteur - que está sendo reconstruído - foi cercada por um forte esquema de segurança. Em seu discurso, o embaixador de Israel em Buenos Aires, Isaac Avirán, afirmou que embora ‘‘o pai ideológico’’ do atentado tivesse sido o Irã, existe na Argentina ‘‘uma conexão local que funcionou em dois atentados e ainda não foi desarticulada’’.

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