Judeu pede que Bento XVI abra arquivos secretos
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sexta-feira, 19 de agosto de 2005
Folhapress 
São Paulo - Um líder judeu alemão pediu ontem ao Papa Bento XVI que está em visita à cidade alemã de Colônia onde participa Jornadas Mundiais da Juventude para que o Vaticano abra seus arquivos secretos sobre a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e o Holocausto.
A visita de Bento XVI à sinagoga de Colônia foi considerada ''histórica'' por vários motivos: primeiro, porque trata-se de um sumo pontífice alemão, pisando em uma sinagoga que foi destruída pelos nazistas que mataram milhões de judeus. Além disso, há o fato de que essa é a segunda visita de um Papa a uma sinagoga a primeira foi feita por João Paulo II, em 1986, na cidade de Roma.
Durante sua permanência no local, Bento XVI fez um pequeno pronunciamento e condenou o ressurgimento do anti-semitismo, sem especificar onde isso estaria ocorrendo, e de ''hostilidade generalizada'' em direção aos estrangeiros. ''Infelizmente estão ressurgindo novos sinais de anti-semitismo e aparecendo diversas formas de hostilidade generalizada em direção aos estrangeiros. Este é um motivo de preocupação. A Igreja se compromete com a tolerância, o respeito, a amizade e a paz entre todos os povos, culturas e religiões'', disse o Papa após condenar o nazismo.
Dando as boas-vindas ao Papa, que fez uma visita histórica à sinagoga, o líder judeu Abrahan Lehrer disse ao sumo pontífice, de nacionalidade alemã, que ele tem ''uma responsabilidade especial'' em abrir os arquivos que os especialistas dizem conter fatos que mostram a ligação do Papa Pio XII (que esteve na direção da igreja de 1939 até 1958) com o nazismo, e a morte de judeus.
O Vaticano abriu seus arquivos diplomáticos até 1939, ano que Pio 12 foi eleito, mas não planeja revelar a documentação do tempo da guerra até, no mínimo, o ano de 2009.
Bento XVI não respondeu ao pedido de Lehrer, mas seu pequeno discurso, feito antes de o líder judeu manifestar o desejo em ter conhecimento dos arquivos do Vaticano sobre o Holocausto, fez uma referência à necessidade de ''uma aceitação mútua da interpretação de questões ainda polêmicas em termos históricos''.


