Judeu critica fala de Ahmadinejad sobre o Holocausto
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quarta-feira, 10 de julho de 2013
Samy Adghirni<br>Folhapress 
Teerã - O líder da comunidade judaica no Irã, Haroun Yashayaei, criticou o presidente Mahmoud Ahmadinejad por ter dito, num de seus últimos pronunciamentos antes de entregar o cargo, que se orgulhava de questionar o Holocausto.
Foi uma rara manifestação pública de repúdio por parte dos judeus iranianos contra a insistência de Ahmadinejad em contestar o extermínio de 6 milhões de judeus pelo regime nazista alemão durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
"Até o fim de seu mandato, o presidente tripudia e chama o Holocausto de mito. É algo presunçoso [movido por intenções] de politicagem", escreveu Yashayaei, presidente da Associação Judaica Iraniana, em carta aberta publicada ontem no jornal "Shargh".
"O Holocausto não foi uma história inventada por sionistas ou grupos judeus. O Holocausto foi um plano organizado por fascistas pró-Hitler e executado por esquadrões da morte nazistas com a intenção de cometer um genocídio contra a existência judaica", afirmou.
O texto foi uma resposta a um pronunciamento no qual Ahmadinejad listou, no domingo, o questionamento do Holocausto como um dos destaques de sua gestão.
"Era um tema tabu que ninguém no Ocidente podia levantar (...). Questioná-lo permitiu quebrar a espinha dorsal do regime capitalista", afirmou o presidente, que disse ter tido "coragem" de trazer o assunto à tona.
Polêmicas
Desde sua chegada ao poder, em 2005, o presidente iraniano defende a realização de "novos estudos independentes" para apontar, segundo ele, inconsistências nos relatos históricos sobre a dimensão da tragédia.
Ahmadinejad também passou seus dois mandatos afirmando que Israel é um Estado ilegítimo fadado a desaparecer. Essa retórica incendiária favoreceu partidários da linha dura contra o Irã nos países ocidentais e em Israel.


