A visita dos reis da Espanha, Juan Carlos I e Sofía, a partir de amanhã ao Brasil, coincide com o avanço do acordo sobre a implantação de aulas de espanhol no ensino secundário do País. A visita pode ser encarada como parte da campanha do governo pela aprovação da medida na Câmara dos Deputados, até o final do ano.
Com a criação do Mercosul, em 1991, aumentaram consideravelmente as relações comerciais e pessoais entre os quatro sócios – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – e o resto do continente, ampliando a difusão do espanhol no Brasil.
No entanto, após sete anos no Congresso e depois de ter superado votações equilibradas na Câmara e no Senado, o projeto de lei sobre a obrigatoriedade do ensino do espanhol no currículo escolar secundário – apresentado em 1993 pelo então presidente Itamar Franco –, se encontra em sério perigo, após a oposição surgida nas próprias fileiras do partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, o PSDB.
Às fortes pressões diplomáticas dos países que seriam hipoteticamente prejudicados – Grã-Bretanha, França e Itália, principalmente –, se soma o peso que teria no orçamento do Estado a obrigatoriedade do ensino da língua de Cervantes no currículo escolar.
Segundo um estudo do ministério da Educação, há pelo menos 840 centros públicos tanto de ensino básico quando de secundário que ensinam a língua espanhola no país.
‘‘O incentivo à promoção do ensino de espanhol nas escolas brasileiras conta com o apoio de uma real vontade política e uma motivação imprescindíveis para que se dê sua expansão’’, afirma o estudo realizado com os datos oferecidos por 17 dos 27 Estados da Federação.
Os esforços das autoridades espanholas para a expansão do idioma no continente – hoje, 450 milhões de pessoas falam espanhol na América do Sul – são considerados tímidos, apesar do impressionante mercado, avaliado em US$ 1,4 bilhão, que se abriria para as editoras.

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