France PresseO primeiro-ministro John Major está enfrentando muitas dificuldades para continuar no cargo após as eleiçõesLONDRES - A maioria dos 2,5 milhões de jovens, nascidos durante os últimos 18 anos em que os conservadores britânicos se mantiveram no poder, e que pela primeira vez poderão expressar sua opinião política nas urnas, votarão nos trabalhistas. Se é que votam.
‘‘É demais! Os trabalhistas têm razão. Dezoito anos são um exagero. É minha idade e quero mudar’’, rebela-se Emily. Para esta jovem, o dirigente trabalhista Tony Blair personaliza às mil maravilhas esta mudança. ‘‘Jovem, simpático e moderno’’, diz. ‘‘Moderno’’ é a palavra-chave dos discursos do chefe do Partido Trabalhista.
Assim como Emily, 56 por cento dos jovens eleitores apóiam os trabalhistas, enquanto 23 por cento mostram suas preferências pelos conservadores e 11 por cento pelos liberais democratas, segundo uma recente pesquisa. Estas tendências são similares no conjunto do eleitorado.
As intenções de voto dos estudantes são mais atenuadas. Vinte e nove por cento afirmam que votarão nos trabalhistas, contra 18% para os tories e 10% nos liberais-democratas, de acordo com uma pesquisa do High Fliers Research. Outros 26% estão indecisos e 11% não votarão.
Em algumas circunscrições universitárias onde a situação dos deputados é delicada, sem dúvida contribuirão para que a balança se incline para um ou outro lado.
É o caso de, pelo menos, nove circunscrições, entre as quais se encontra Brighton Pavilion, no Sul da Inglaterra, que figura na trigésima quarta posição da lista dos objetivos dos trabalhistas. A circunscrição conta com 14 mil estudantes e seu deputado tory, Sir Derek Spencer, só conta com uma maioria de 2.500 votos.
Mas também não é muito seguro que os estudantes estejam dispostos a abandonar o azul de sua infância (cor dos conservadores) para lançar-se nos braços do vermelho em sua vida adulta, sob o novo trabalhismo.
‘‘Eu não votarei. De qualquer modo, os partidos são os mesmos’’, afirma categórico Philip, de 23 anos. ‘‘É tudo a mesma coisa’’. A expressão é inclusive comum nas bocas dos jovens, ávidos de mudança, mas que não reconhecem as fronteiras entre o partido de John Major (atual primeiro-ministro) e o Novo Trabalhista de Tony Blair.
Em escala nacional, cerca de 40 por cento ainda não sabem se no próximo dia 1º de maio irão às urnas ou já decidiram que não irão.
A abstenção dos jovens constitui uma das maiores dúvidas da votação. Entre as eleições de 1987 e 1992, a participação dos jovens de 18 a 25 anos caiu de 69 para 55 por cento.

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