Jovens fazem queixa formal à Unicef contra inação de governos
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terça-feira, 24 de setembro de 2019
Ana Carolina Amaral – Folhapress
Nova York - A ativista sueca Greta Thunberg, 16, e mais 15 jovens com idades entre 8 e 17 anos entraram com uma queixa formal na Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) nesta segunda (23) contra os países signatários da Convenção dos Direitos da Criança, assinada em 1989.
Eles argumentam que a falta de ação dos governos para conter a crise climática ameaça diretamente os direitos das crianças. Portanto, os países não estariam cumprindo o que prometeram na convenção.
"Parece que os governos esqueceram seus compromissos. O tratado diz que os países devem respeitar e proteger o direito de toda criança à vida, à saúde, à cultura e ao bem-estar econômico. Eles não estão fazendo isso", disse Alexandria Villaseñor, 14, jovem americana que lidera o movimento Fridays for Future (Sextas pelo Futuro) no país.
No entanto, os Estados Unidos é o único país que ainda não ratificou o tratado, embora também seja signatário. Todas as outras 195 nações-membro da ONU (Organização das Nações Unidas) transformaram o compromisso em leis nacionais.
A brasileira Catarina Lorenzo, 12, está no grupo de jovens. Ela denunciou que sua cidade, Salvador (BA), joga o esgoto no mar e com isso contamina a água, deixando doentes as crianças que nadam ou surfam ali. "Estamos aqui para salvar nosso futuro", afirmou Catarina. Os outros jovens que assinam a petição são da Argentina, França, Alemanha, Índia, Ilhas Marshall, Nigéria, Palau, África do Sul e Tunísia.
A Convenção dos Direitos da Criança permite que as próprias crianças, ou adultos que as representem, deem entrada a queixas contra países que tenham ratificado o tratado. Os processos são recebidos por um comitê de especialistas, que poderá lançar investigação contra violações graves ou sistemáticas.