France Presse
De Briz-Zeit, Cisjordânia
O primeiro-ministro francês, Lionel Jospin, que na quinta-feira chamou de terroristas as ações do grupo armado Hezbolá contra Israel, foi atacado este sábado a pedradas por manifestantes palestinos.
O ataque, testemunhado por correspondentes da AFP, aconteceu quando Jospin saía do edifício da Universidade de Bir-Zeit, na Cisjordânia, onde foi participar de uma palestra com os estudantes. Na entrada, Jospin já havia sido alvo de manifestação, em que os estudantes portavam cartazes que diziam: ‘‘Não somos terroristas’’.
Na saída, uma chuva de objetos, principalmente punhados de terra e pedras, foi jogada em cima do primeiro-ministro. Um fotógrafo da AFP ficou levemente ferido na confusão.
Jospin foi rapidamente levado para dentro do veículo de sua comitiva, que também foi atacado e ficou seriamente danificado. A confusão e o pânico reinavam entre a delegação oficial francesa, constataram jornalistas da AFP.
Depois do incidente, o primeiro-ministro disse à imprensa, na sede da Autoridade Palestina, em Ramallah, que não havia sido atingido pelos estudantes e que deverá manter o programa de sua visita.
Pouco depois, Yasser Arafat e Jospin mantiveram uma conversa por telefone. Arafat condenou o incidente com firmeza, disse à AFP o secretário da presidência palestina, Tayeb Abdel Rahim. Segundo ele, Arafat também expressou o desejo de que o incidente não modifique a tradicional simpatia da França pela causa palestina.
Enquanto o primeiro-ministro falava na universidade, dezenas de jovens concentrados do lado de fora gritavam lemas como ‘‘De Bir-Zeit a Beirute, um povo unido jamais morrerᒒ.
Muitos deles levavam cartazes hostis a Jospin, onde em que se liam ‘‘Não somos terroristas’’, ‘‘Os resistentes libaneses não são terroristas. Os verdadeiros terroristas são aqueles que matam seus filhos e os nossos a cada dia’’.
Durante sua palestra aos estudantes, Jospin havia tentado amenizar a polêmica provocada por suas declarações sobre o Líbano, afirmando que sua política a respeito está de acordo com ‘‘os grandes princípios que guiam a ação da França’’.
‘‘A França condena a presença das tropas israelenses no Líbano, a ocupação do Sul do Líbano por Israel’’, disse.
‘‘Me parece justo quando são retomadas as negociações (...), os atos de guerra que possam ocorrer não são úteis ao processo de paz’’, disse.
‘‘Me expressei levando em conta este contexto. Minha postura sobre este tema está de acordo com os grandes princípios que guiam a ação da França’’.‘‘Em consequência, tratou-se de um problema de interpretação, que pode ocorrer numa coletiva de imprensa, e não vou voltar a falar sobre isso’’, concluiu.Primeiro-ministro francês, que classificou o gupo Hezbolá como ‘terrorista’, saiu ileso de protesto de estudantes palestinos
France PresseSufoco na PalestinaLionel Jospin (c) é protegido por seguranças em meio à confusão na saída da universidade de Bir-Zeit. Depois do incidente, ele recebeu desculpas do presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat

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