José Serra pede a cooperação do FDA
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terça-feira, 28 de julho de 1998
Agência Folha 
O ministro da Saúde, José Serra, teve ontem em Washington a primeira reunião com o comissário-interino do Food and Drug Administration (FDA), Michael Friedman, para discutir uma provável cooperação com o órgão similar ao FDA que deve ser criado no Brasil. O FDA é o órgão responsável pela aprovação e controle de comercialização de medicamentos, cosméticos e alimentos nos EUA.
O interesse do Brasil, segundo o ministro, é em uma cooperação técnica e não financeira. Assim, foram discutidos como o FDA poderia auxiliar no treinamento de brasileiros, enviando especialistas ao Brasil ou recebendo brasileiros em seus laboratórios. O ministro também espera assistência para desenvolver critérios de avaliação da eficácia e da segurança de novas tecnologias de intervenção, consultoria na observação e nas inspeções de produtos, por meio da coleta e análise de amostras e a metodologia para o sinal verde para a comercialização de novos medicamentos, além de parcerias e convênios com universidades.
Apesar de seguir os moldes norte-americanos, o FDA brasileiro deverá ter o que o ministro chama de competência concorrente. Hoje, a fiscalização de medicamentos e alimentos se dá por meio da Vigilância Sanitária, controlada pelos governos estaduais. A proposta da criação do FDA brasileiro não deve tirar essa competência dos Estados, mas dará ao governo federal maior poder de intervenção. Não pode mais funcionar como é hoje, vamos fazer trabalhos concorrentes , disse.
Serra fez um discurso pela manhã para técnicos de saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Depois de uma palestra em que expôs seus principais focos de atuação na área da saúde, o ministro se encontrou separadamente com técnicos da Opas para discutir uma proposta para a compra de inseticidas e insumos básicos. O Brasil já compra vacinas por meio da Opas, o que produz uma economia de até dois terços do valor de mercado no país, já que a Opas faz uma concorrência mundial, obtém o menor preço e o repassa aos países interessados.
Segundo o ministro, o principal objetivo de sua viagem aos EUA é um encontro que ele deverá ter hoje com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, e que deve resultar na finalização de um acordo para a liberação de US$ 600 milhões que serão utilizados para o treinamento de 300 mil atendentes de hospitais brasileiros. Existem 400 mil atendentes nos hospitais brasileiros, que são pessoas que não têm qualificação nenhuma. Estou seguro de que os altos índices de mortalidade no Brasil têm a ver com isso.


