Roma - Pela primeira vez desde que foi fundada em 1945, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), será presidida por um latino-americano, o brasileiro José Graziano da Silva, que terá o desafio de erradicar ou pelo menos reduzir a fome no mundo.
O brasileiro, que obteve 92 votos contra 88 do ex-chanceler espanhol Miguel Angel Moratinos, recebeu o apoio da América Latina e dos chamados ''países não-alinhados'' do G-77, entre eles, boa parte da África e Indonésia.
O brasileiro foi um dos principais técnicos do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e depois foi assessor especial da Presidência da República. ''Com o passar dos anos aprendi que é preciso caminharmos juntos, obter o consenso, para conquistar os objetivos'', acrescentou o vencedor, depois de agradecer aos países latino-americanos, africanos, de língua portuguesa e, inclusive, aos países europeus e desenvolvidos. ''Foi um exercício democrático e soberano'', disse.
Graziano Silva, ex-coordenador do ''Fome Zero'', era um dos grandes favoritos para suceder o senegalês Jacques Diouf, que ocupava o posto de diretor-geral da FAO há 17 anos. Nascido em 17 novembro de 1949, ele ocupa o posto de representante regional e vice-diretor da FAO desde março de 2006. Durante sua permanência na FAO, conseguiu que países de América Latina e Caribe fossem os primeiros no mundo a assumir o compromisso de erradicar a fome antes de 2025.
Graziano é doutor em Economia pela Unicamp e foi professor titular de Economia Agrícola da mesma universidade. Cursou pós-graduação na Universidade da Califórnia e no Instituto de Estudos Latino-Americanos da University College de Londres.
A eleição do novo diretor-geral - que assumirá o cargo em 1º de janeiro de 2012 e permanecerá até julho de 2015 -, foi realizada durante a 37 Sessão da Conferência da FAO, que será concluída no dia 2 de julho.

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