Jornalistas são mortos em Serra Leoa
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quinta-feira, 25 de maio de 2000
Associated Press De Freetown 
Um câmera da agência Associated Press Television News (APTN), o espanhol Miguel Gil Moreno de Mora, de 32 anos, e o correspondente da Reuters, o norte-americano de Washington Kurt Schork, 53, foram mortos em uma emboscada, anteontem, nas proximidades de Rogberi Junction, uma área que vem sendo disputada entre forças aliadas do governo e a Frente Revolucionária Unida (FRU), e onde foram encontrados, na segunda-feira passada, oito cadáveres com uniformes da Organização das Nações Unidas (ONU). Mora e Schork eram internacionalmente conhecidos pelo seu trabalho em regiões de conflitos perigosos. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, culpou os rebeldes pelo ataque. A morte dos jornalistas eleva por outro lado a onze o número de profissionais de imprensa assassinados no mundo desde o início do ano. Apesar do exército e das milícias pró-governamentais, dos Capacetes Azuis e cerca de mil pára-quedistas britânicos que apóiam o exército em logística e missões de reconhecimento, os rebeldes voltaram a atacar.
Durante a emboscada, outros jornalistas foram atingidos. Ficaram feridos dois jornalistas da Reuters, o câmera sul-africano Mark Chisholm e o fotógrafo grego Yannis Behrakis. Com uma escolta de 10 soldados quatro deles também foram mortos , Mora e Schork viajavam com os demais jornalistas em dois veículos quando foram emboscados e mortos. Os outros dois, mesmo feridos, conseguiram fugir a pé. O porta-voz do departamento do estado, Philip Reeker, confirmou o ataque e enviou as condolências para as famílias das vítimas.
Gil Moreno de Mora foi o 25º jornalista da Associated Press a morrer na linha de frente nos 151 anos de existência da agência. Ele iniciou sua carreira na agência como advogado, mas foi atraído pelo desafio de realizar reportagens no início de 1990 e foi enviado para Sarajevo para tornar-se um jornalista. Ele cobriu os conflitos de Kosovo, Chechênia, Iraque, Congo e outras partes do mundo pela APTN.
Já Schork, trabalhou na Reuters nesta última década, e cobriu praticamente todos os mesmos conflitos de Gil, além da Guerra do Golfo. O embaixador da ONU, Richard Holbrooke, declarou por ocasião do comunicado sobre as mortes dos jornalistas que o mundo nem sempre compreende o quanto deve a jornalistas como Mora e Schork e destacou a importância do trabalho desses profissionais. As forças aliadas do governo de Serra Leoa vêm se confrontando com os rebeldes da FRU, que tomaram como reféns centenas de capacetes azuis da ONU no início de maio e que vem avançando na direção de Freetown, a capital do país. O exército do governo está tentando reverter essa situação. Diante do ocorrido, a ONU decidiu reforçar sua presença no local, onde conta atualmente com 11 mil funcionários.
A sangrenta emboscada de quarta-feira numa zona segura armada pelos rebeldes serra-leoneses, na qual morreram dois jornalistas internacionais, um espanhol e outro americano, assim como quatro militares, demonstra que os rebeldes continuam com disposição de persistir em sua luta.


