Jornalistas morrem e impunidade continua
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de março de 2005
France Presse 
Viena - As notícias não são boas para os jornalistas. O relatório anual do Instituto Internacional de Imprensa (IPI), divulgado ontem em Viena, afirma que 78 colegas foram assassinados em 2004, 14 a mais do que no ano anterior. Além disso, vários países continuam criando condições para a impunidade de seus algozes.
Vinte e três jornalistas morreram no Iraque, doze nas Filipinas, cinco em Bangladesh, quatro no México, três no Brasil, Índia, Nepal e Rússia, e 22 em outros 18 países, revela este instituto de defesa da liberdade de imprensa no relatório ''Os jornalistas morrem, a impunidade continua'', que avaliou a situação dos profissionais em 191 países.
''Desde 1999, quando 86 jornalistas foram mortos, que tantos jornalistas não são assassinados em um ano'', disse o pesquisador do IPI Michael Kudlak. O Iraque pós-guerra ''continua sendo o local mais perigoso do mundo para os jornalistas, com quatro vítimas a mais do que em 2003, ano da invasão americana'', revela o IPI.
Entre os jornalistas assassinados, destaca-se o italiano Enzo Baldoni, executado pelo Exército Islâmico no Iraque, um grupo radical que exigia a retirada das tropas italianas do país e de vários jornalistas locais acusados de colaborar com a mídia estrangeira.
O número de jornalistas mortos também aumentou de forma alarmante nas Filipinas, com 12 vítimas no ano passado, em comparação com as sete de 2003. A Ásia, onde 27 jornalistas foram assassinados, é a região mais perigosa junto com o Oriente Médio.
''A impunidade prospera enquanto os jornalistas morrem'', avalia o IPI, revelando que, em vários estados, ''as autoridades mostraram ser incapazes de investigar corretamente as mortes e condenar os assassinos''.
Entre os países apontados pela falta de atuação estão as Filipinas, Bangladesh, México e Rússia.
''Em vários casos, as investigações sobre a morte dos jornalistas são comprometidas (pela incompetência dos investigadores) pelo o desejo de esquecer a questão, a corrupção, a parcialidade da Justiça, a inércia e a indiferença'', avalia o diretor do IPI, Johann Fritz.


