Jornalistas homenageiam repórter morto
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sexta-feira, 03 de junho de 2005
France Presse 
Beirute - Centenas de jornalistas observaram ontem um minuto de silêncio no centro de Beirute em homenagem ao repórter Samir Kassir, asassinado na véspera, concluindo a manifestação com canetas erguidas para o céu e cantando o hino nacional libanês. Os jornalistas respondiam ao apelo da publicação liberal An-Nahar, para a qual trabalhava Kassir.
As imagens do evento foram transmitidas ao vivo por canais de televisão privados e pela rede oficial. Vestidos com camisas brancas e com calças ou saias pretas, os(as) jornalistas ficaram de pé em silêncio entre 7h e 8h GMT de ontem.
Alguns manifestantes levavam um cartaz com um retrato gigante de Samir Kassir e a inscrição: ''Mártir da independência''. Detentor da dupla nacionalidade libanesa e francesa, Kassir era um militante de esquerda que lutava pela democracia na Síria, no Líbano e no mundo árabe.
O jornalista foi vítima de uma carga explosiva colocada sob seu carro e acionada a distância por controle remoto, informou ontem o ministro do Interior libanês, Hassan Saleh. ''Segundo os primeiros elementos da investigação, Samir Kassir foi vítima da explosão de uma carga de plástico de entre 500 e 700 gramas colocada sob o chassis de seu veículo no lugar do assento do motorista, e acionada por controle remoto'', declarou Sabeh a jornalistas.
A oposição anti-síria pediu que a comissão internacional encarregada pela ONU de investigar o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri, morto no dia 14 de fevereiro passado, estenda sua missão à elucidação deste novo homicídio. Saad Hariri, filho do falecido ex-premiê, sustentou que os assassinos de Samir Kassir eram os mesmos que mataram seu pai.
Cerca de 50 intelectuais sírios denunciaram a ''campanha de terror na qual se inscrevem os assassinatos de Samir Kassir e do ulemá sírio Mohammad Maachuk Khaznawi'' em comunicado divulgado ontem em Beirute. ''Estas duas agressões fazem parte de uma série de atos terroristas que mergulha o mundo árabe num banho de sangue graças à manutenção de regimes totalitários e ditatoriais'', afirma o texto.


