Jornalista se desculpa e Clinton aceita
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terça-feira, 10 de março de 1998
Edinelson Alves e Reuter 
France PresseEm altaEscândalos perdem força e o presidente Bill Clinton continua acumulando pontos nas pesquisas de opinião A investigação sobre o envolvimento do presidente Bill Clinton com suas ex-auxiliares ainda preocupam, mas dois fatos isolados contribuíram para a defesa do chefe da Casa Branca: o primeiro foi a morte de James McDougal, de parada cardíaca na prisão de Fort Worth, no Texas. Ex-aliado de Clinton, McDougal, de 58 anos, ultimamente vinha colaborando com os investigadores que tentam processar o presidente, em troca de diminuição de sua pena. Ex-sócio de Clinton na imobiliária Whitewater, McDougal cumpriu pena por 18 acusações, entre elas fraude e obstrução da Justiça.
Já o jornalista David Brock, que em 1993 publicou a reportagem que motivou Paula Jones a entrar com ação contra Clinton, por abuso sexual, surpreendeu ao pedir desculpas ao presidente, alegando que toda história foi contada baseada em depoimentos de pessoas que eram rivais políticos de Clinton. Ontem o prsidente aceitou a desculpa. A denúncia contra o chefe da Casa Branca foi publicada pela revista conservadora American Spectador e o pedido de desculpas de David Brock numa carta aberta da revista Esquire. O jornalista disse que a reportagem-denúncia foi elaborada a partir de depoimentos de adversários de Clinton em Arkansas. Até os quatro policiais que acusaram Clinton de de usá-los para conseguir programas extraconjugais na época em que ele era governador tinham motivos para depor contra ele, afirmou o jornalista.
Os dois casos dificultam as investigações do promotor Kenneth Starr. McDougal era a grande esperança da Justiça para esclarecer os negócios tidos como duvidosos de Clinton no Arkansas; e a desculpa pedida pelo jornalista ajudará os advogados da Casa Branca a sustentar a defesa de que as denúncias de escândalo sexual não passam de armação política para prejudicar Clinton.
Para piorar, o líder do Senado, Trent Lott, disse em entrevista a CNN que já era hora de Kenneth Star mostrar as cartas. Como republicano e opositor da Casa Branca, Lott, sem querer fez o jogo de Clinton. Depois de ser pressionado pelo seu partido, Lott mudou o discurso e desafiou Clinton a contar toda verdade sobre o caso da ex-estagiária Monica Lewinski. O vacilo do líder do Senado reflete as incertezas dos republicanos. Eles não sabem como explorar o escândalo sexual de Clinton, principalmente porque as pesquisas de opinião revelam que o povo não está entusiasmado com a saída do chefe da Casa Branca, justamente num momento em que a economia do país revela estatísticas tão positivas.
O presidente Bill Clinton aceitou ontem o pedido de desculpas apresentado pelo jornalista David Brock. Para a Casa Branca, a carta aberta a Clinton representa uma tardia, mas bem-vinda, retratação do repórter que trouxe à baila o caso Paula Jones e contribuiu para criar as condições que levaram à investigação do caso Monica Lewinsky. Para o movimento conservador, a conversão de Brock é um passo desconcertante.


