Jornalista recomenda mais prudência sobre supostas atrocidades
Ansa
A afirmação de que na guerra a verdade é a primeira vítima foi novamente confirmada em Kosovo segundo o jornalista anglo-australiano Phillip Knightley, que coloca em dúvida muitas das atrocidades atribuídas aos sérvios.
Muitos relatos de atrocidades que chegam de Kosovo se revelaram falsos, sustenta o jornalista numa polêmica aberta com a maior parte dos meios de comunicação ocidentais. Knightley, autor de um livro sobre propaganda de guerra, First Casualty, aconselha aos enviados especiais aos Bálcãs um ceticismo prudente.
Os jornalistas estão prontos para acreditar em tudo que possa pintar os sérvios como monstros, lamentou ele num recente artigo no Independent on Sunday, de Londres. Um sótão da polícia sérvia, por exemplo, foi descrito como uma câmara de torturas mas as provas são na verdade muito escassas.
O jornalista anglo-australiano afirma também que é preciso receber com prudência reportagens e artigos sobre massacres e valas comuns, geralmente atribuídas a fontes de inteligência, à Otan e a porta-vozes militares.
O jornalista opina que seus colegas estão condicionados pela forma como os países da Otan pintaram Slobodan Milosevic e a Sérvia, agitando o espectro do Holocausto e de Hitler. As atrocidades são uma forma comprovada de suscitar ódio e confirmar a depravação do inimigo, argumenta Knightley, que também sublinhou que desde a guerra do Vietnã até agora as relações entre a imprensa e as forças armadas se inverteram.
No Vietnã os meios de comunicação desconfiavam de qualquer coisa que diziam os militares. Em Kosovo, tendem, ao contrário, a acreditar em tudo o que dizem os militares, disse.





