São Paulo - O primeiro repórter do tabloide News of the World a denunciar que o então editor Andy Coulson sabia das escutas ilegais realizadas por sua equipe foi encontrado morto, informou o jornal britânico Guardian.
Sean Hoare trabalhou para o The Sun e para o News of the World sob a chefia de Coulson, que, mais tarde, foi escolhido como diretor de comunicação do premiê britânico, David Cameron. Hoare foi demitido dos jornais do grupo por problemas de drogas e alcoolismo. Ele foi encontrado morto em sua casa em Watford.
A polícia de Hertfordshire não confirmou a identidade de Hoare, afirmando apenas que foi chamada às 10h40 de ontem para ajudar ao morador de uma casa na rua Langley, em Watford.
''O homem foi pronunciado morto na cena pouco depois'', disse a polícia, em comunicado, acrescentando que a morte está sendo tratada como ''sem explicação''. A polícia ressaltou, contudo, que não há nada suspeito na cena.
Hoare fez suas primeiras denúncias sobre o comportamento antiético do tabloide britânico em reportagem investigativa do jornal americano New York Times. Ele disse ao jornal que Coulson sabia do esquema das escutas ilegais de telefones de políticos, celebridades e até funcionários da família real e ainda encorajava sua equipe a usar a prática para conseguir histórias exclusivas.
Ele afirmou ainda que o procedimento era extremamente comum, os repórteres apenas pediam a localização de quem quisessem para o setor responsável, sem precisar dar explicações. Em entrevista ao Guardian, ele admitiu problema com drogas e bebidas, mas disse que estava na reabilitação. Hoare enfatizou ainda que não lucrou ao contar sua história.
Coulson foi detido em 8 de julho para prestar esclarecimentos sobre seu envolvimento nas escutas ilegais e no pagamento de propina aos policiais. Ele se demitiu do cargo de porta-voz de Cameron no começo do ano, antes do escândalo ganhar novo tamanho, mas sua ligação com o premiê é alvo de duras críticas.
O escândalo das escutas ilegais feitas pelo jornal News of the World derrubou mais da cúpula da Scotland Yard, a polícia britânica. Após a renúncia de Paul Stephenson, chefe da Polícia Metropolitana, renunciar no domingo, ontem foi a vez de John Yates, o número dois da organização. As denúncias são que os dois foram no mínimo lenientes nas investigações sobre a prática de repórteres do jornal de ouvir a caixa postal de telefones de membros da realeza, políticos, celebridades e também vítimas de crimes.

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