Jornalista é assassinado a tiros no Haiti
Associated Press
De Porto Príncipe
O jornalista e diretor de rádio de maior destaque no Haiti, Jean Dominique, foi morto a tiros ontem pela manhã na entrada da estação de rádio Haiti Inter, de sua propriedade.
Dominique, de quase 70 anos, ainda foi levado com vida ao hospital de Petionville, subúrbio de Porto Príncipe onde se localiza sua emissora, mas não resistiu aos ferimentos. Ele chegava à emissora para seu programa matinal de notícias. Outro funcionário da rádio foi assassinado durante o ataque.
A embaixada dos EUA no Haiti lamentou o brutal assassinato de Dominique, que há 40 anos lidera a imprensa livre haitiana, e advertiu sobre as profundas implicações deste ato de covardia para a liberdade de imprensa no Haiti.
O atentado contra o jornalista ocorre em meio a uma onda de insegurança e crescente violência em Porto Príncipe, capital do país, ao mesmo tempo em que as autoridades tentam organizar eleições para a escolha de um novo Parlamento.
Dominique tornou-se símbolo da livre expressão no país nos anos 70, quando foi um dos iniciadores do movimento popular que derrubou a ditadura de Jean-Claude Baby Doc Duvalier. Baby Doc fechou a estação dele nos anos 80, e o jornalista foi para o exílio de onde regressou em 1986 após a queda do ditador. Sua rádio voltou a ser fechada em 1991, quando um golpe militar derrubou o presidente democraticamente eleito Jean-Bertrand Aristide, a quem Dominique acompanhou no exílio nos EUA.
Uma intervenção de Washington que reconduziu Aristide ao poder em 1994 permitiu a volta de Dominique, aliado de Aristide e de seu sucessor, o presidente René Préval. O tom ácido das críticas do jornalista o tornou alvo de várias ameaças de morte, tanto da extrema direita que apoiou o golpe militar em 1991 quanto de alguns extremistas de esquerda do fragmentado movimento populista de Aristide.





