Jornal teria grampeado ex-premiê britânico
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segunda-feira, 11 de julho de 2011
Folhapress 
São Paulo - O jornal The Sunday Times, que pertence ao magnata australiano Rupert Murdoch, tentou grampear telefones de Gordon Brown quando ele era primeiro-ministro do Reino Unido, informaram ontem vários veículos da imprensa britânica.
A revelação ocorre em meio à crise ocasionada pelos grampos telefônicos de outro jornal do grupo Murdoch, o The News of the World, que saiu de circulação após uma última edição no domingo.
Uma investigação da cadeia pública de TV aponta que o jornal, do grupo News International, tentou obter informações pessoais sobre Brown, como documentos e um histórico de suas chamadas telefônicas, em busca de dados financeiros.
Jornalistas do The Sunday Times tentaram acessar mensagens de voz, conta bancária e histórico médico da família de Brown, de acordo com a BBC. Segundo a rede, investiga-se agora se a informação de que Brown comprou a baixo custo uma casa que pertencia a Robert Maxwell, que foi publicada na primeira página do jornal, foi obtida depois que um funcionário do de The Sunday Times obtivesse cerca de 2 mil dados bancários do ex-primeiro-ministro.
De acordo com o jornal Guardian, também há indícios de que Brown foi espionado durante mais de dez anos, desde quando era ministro de Finanças até quando já era premiê.
O Independent informa que Brown deve fazer um comunicado sobre o caso em breve.
O escândalo do News of the World eclodiu em 2006, após a revelação de que alguns jornalistas supostamente recorriam aos grampos para interceptar comunicações de famosos e mensagens de voz em celulares.
Entre outros, foram grampeados as linhas dos atores Jude Law e Sienna Miller, do vice-premiê John Prescott, além dos príncipe Harry e William. A maior parte das escutas da publicação foram realizadas pelo detetive Glenn Mulcaire. De acuerdo com o jornal britânico Guardian, dez membros da Família Real britânica foram alvos dos grampos.
Em 2007, a BBC revelou que o jornal pagou a um funcionário da Família Real para obter telefones de contato de membros da monarquia e seus amigos. Na sexta-feira, o caso ganhou outra proporção com a prisão do ex-diretor do News of the World, Andy Coulson. Ele foi liberado no mesmo dia após pagar fiança.
O escândalo levantou questões sobre as relações entre políticos e membros da imprensa, incluindo o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, que havia contratado Coulson como seu assessor e conselheiro.


