Jornal publica trechos das memórias de Eichmann
Associated Press
De Jerusalém
Um jornal israelense publicou ontem o que seriam trechos das memórias do cárcere de Adolf Eichmann nos quais o condenado criminoso de guerra nazista defende que não odiava judeus e nunca acreditou na teoria racial nazista.
As memórias estão trancadas nos arquivos nacionais de Israel desde a execução de Eichmann em 1962. O diário Yediot Ahronot publicou que 20 anos atrás, recebeu uma sinopse manuscrita dos escritos de Eichmann, com trechos traduzidos para o hebreu, de uma fonte que o jornal negou-se a identificar.
O diário republicou os trechos ontem, um dia depois que o Ministério da Justiça de Israel anunciou que iria entregar todo o texto para um instituto de pesquisa alemão para publicação.
Eichmann orquestrou o Holocausto no qual 6 milhões de judeus europeus pereceram. Ele fiscalizou a deportação de milhões de judeus para campos de concentração e promoveu o uso de câmaras de gás para matá-los.
Mas nos trechos publicados ontem, ele garantia que não odiava judeus e que estava incomodado com os campos da morte. Quando fui ver os campos da morte meu único consolo foi uma garrafa, escreveu.
Eichmann teria dito nunca ter acreditado na teoria racial nazista.
Política é um prostíbulo, escreveu. O nacionalismo é o maior inimigo da humanidade.
No seu julgamento, ele manteve que era um oficial de nível médio sem poderes executivos e que apenas cumpria ordens de Adolf Hitler.
Depois da Segunda Guerra Mundial, Eichmann escapou para a América do Sul, mas em 1960 ele foi sequestrado em Buenos Aires por agentes israelenses, que o contrabandearam para fora do país e o levaram para Israel.





