São Paulo - O semanário satírico francês ''Charlie Hebdo'' reproduziu ontem as 12 charges sobre o profeta Maomé, originariamente publicadas pelo jornal dinamarquês ''Jyllands-Posten''.
O presidente Jacques Chirac criticou a publicação, classificando-a de ''provocação que pode perigosamente exacerbar as paixões''. Disse que ''se deve evitar tudo que tende a machucar as convicções do próximo, sobretudo em questões religiosas''.
Afirmou ainda que ''a liberdade de expressão deve ser exercida com responsabilidade''.
A França é o país europeu com a maior proporção de muçulmanos, imigrantes ou descendentes de origem norte-africana.
Entidades que representam a comunidade islâmica no país tentaram por vias judiciais impedir a publicação das charges.
Mas a Justiça deliberou na terça-feira que a aceitação de uma censura feriria a liberdade de expressão e a Lei de Imprensa, de 1881.
''O exercício da liberdade de imprensa não pode ser considerado como uma provocação'', disse ontem Philippe Val, diretor do semanário. ''Não se pode renunciar a esse direito só porque alguns são incapazes de suportá-lo.''
O jornal tem uma antiga tradição de humor engajado, com posições anarquistas ou de extrema esquerda. É o sucessor do ''Hara-Kiri Hebdo'', fechado em 1970 pelo Ministério do Interior em razão de uma manchete considerada ofensiva ao presidente Charles de Gaulle, que acabara de morrer.

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