São Paulo - O equatoriano "Hoy" publicou neste domingo sua última edição impressa diária. O jornal, que circula há mais de trinta anos, existirá agora somente em versão on-line e em um impresso publicado semanalmente. Em editorial, o "Hoy" disse que a decisão foi motivada pela "gradual perda das liberdades e [pela] limitação das garantias constitucionais" no Equador, assim como a "autocensura" provocada pela Lei de Comunicação, em vigor há um ano, e os "ataques" do governo aos meios não alinhados ao poder. Além disso, o jornal afirma que vem sendo alvo de boicote publicitário.
Para a Superintendência de Informação e Comunicação (Supercom), que qualificou os ataques do "Hoy" como de "má-fé", a decisão do jornal não tem relação com a nova lei, mas, provavelmente, com alguma deficiência administrativa. Segundo a organização, jornalistas do "Hoy" já vinham denunciando atrasos dos salários mesmo antes da nova lei entrar em vigor.
O presidente do Equador, Rafael Correa, manifestou-se em sua conta no Twitter: "Supostamente o jornal 'Hoy' fechou por causa da Lei de Comunicação. A verdade: ele vem acumulando prejuízos há anos devido a uma péssima administração. Como há mentiras no país, paradoxalmente, por parte daqueles que deveriam informar!".

LEI POLÊMICA
Além de ter criado a Supercom - que tem papel de "vigilância, auditoria, intervenção e controle" -, a lei reservou 33% das futuras frequências de rádio e TV para a mídia estatal, 33% para emissoras privadas e 34% para grupos indígenas, sem mudar concessões atuais. A lei também permitiu que, caso a Supercom julgue que uma pessoa física ou jurídica foi "desacreditada" pela mídia, o veículo seja obrigado a divulgar um ou mais pedidos de desculpas, dependendo de quantas vezes a "informação lesiva" foi publicada.

mockup