Os EUA já têm data para atacar alvos específicos no Iraque: quarta-feira, dia 11. Desta vez, segundo revela o bem-informado jornal satírico ‘‘Le Canard Enchain钒, citando fontes dos serviços especiais franceses, os americanos prometem bater forte e não lançar apenas alguns mísseis de seus navios no Golfo sobre Bagdá. Como sempre, tudo será filmado pelas câmeras militares, mas também pelas da CNN.
Mas, para isso, será preciso retirar os 450 representantes das Nações Unidas e 120 inspetores, entre eles 6 franceses, de Bagdá. Isso porque ninguém tem dúvidas de que Saddam Hussein os poderá usar como reféns. Eles estão lá para descobrir onde Saddam ainda guarda algumas armas bacteriológicas e um número indefinido de mísseis que não têm alcance suficiente para chegar em Washington, mas podem atingir seu grande aliado Israel.
Tudo isso explica a recente distribuição de máscaras antigás aos israelenses, apesar de o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ter julgado mínimas as chances de um ataque iraquiano contra Tel-Aviv.
Encerrada a missão da secretária de Estado americana, Madeleine Albright, pela Europa e Oriente Médio - cujo objetivo foi medir as possíveis reações de seus aliados no caso de um ataque americano -, franceses e russos insistem em convencer Saddam a aceitar uma saída diplomática que consistiria em permitir uma inspeção mais profunda que comprove a inexistência de instalações bacteriológicas e nucleares no país.
Ontem, Washington julgou insuficiente a abertura de Bagdá, indicando oito locais ainda não autorizados para novas inspeções. De um lado, a maior parte dos europeus busca um novo equilíbrio na região, constituindo uma frente antiataque, enquanto os EUA e a Grã-Bretanha buscam, pela via militar, fragilizar ainda mais o Iraque.
Segundo analistas, no Oriente Médio ninguém tem interesse num Iraque muito forte nem muito fraco. Mesmo se as declarações do presidente russo, Boris Yeltsin, sobre a possibilidade de um ataque americano provocar uma nova guerra mundial, tenham sido julgadas exageradas, a tensão cresce em toda Europa, pois são poucos os que ainda acreditam numa saída pacífica.

mockup