Washington - A edição de ontem do jornal americano ''The Washington Post'' afirma que o governo brasileiro se nega a permitir que os inspetores da ONU examinem uma unidade de enriquecimento de urânio que está sendo construída no Rio de Janeiro. O ''Washington Post'', que cita funcionários públicos brasileiros e diplomatas lotados em Viena que pediram anonimato, diz que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e o Brasil se encontram num impasse quanto às inspeções.
O Brasil sustenta que a unidade de Resende produzirá urânio pouco enriquecido, não do tipo que pode ser utilizado em armas nucleares, segundo o relatório. Apesar disso, o governo brasileiro não quer permitir a visita de inspetores da AIEA à unidade, alegando proteção dos interesses sobre direitos de propriedade, afirma o jornal.
O relatório sustenta que o projeto brasileiro é contrário à posição do presidente americano George W. Bush, que pediu restrições ao processo de enriquecimento de urânio como parte de uma estratégia para combater a proliferação nuclear.
Segundo o jornal americano, especialistas em proliferação de armas afirmam que se Estados Unidos e a ONU não intervirem para restringir o programa brasileiro, os esforços de Washington para que países como Irã ou Coréia do Norte paralisem seu enriquecimento de urânio serão afetados.
A unidade de Resende pertence a um programa considerado legal pelos tratados internacionais, mas sujeito às inspeções da ONU para garantir que não seja utilizado para a produção de armamento.

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