Jordaniano mata 7 colegiais israelenses
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de março de 1997
France Presse, da Jordânia 
France PressePor milagreNo hospital, as irmãs Karen e Melizza, que escaparam por pouco do militar enlouquecido quando passeavam na Fronteira da Paz Um soldado jordaniano usando um fuzil automático M-16 abriu fogo ontem contra um grupo de estudantes israelenses, matou sete meninas e feriu outras cinco além de uma professora que faziam uma excursão na localidade de Bakura, fronteira israelense-jordaniana. O atentado se produziu quando as relações jordaniano-israelenses e israelense-palestinas estão em crise e quando dirigentes de Jerusalém pedem um basta à retórica antiisraelense.
O rei Hussein da Jordânia interrompeu a visita que realizava à Espanha e condenou de imediato o antentado, cometido, segundo testemunhas, por um soldado enlouquecido. O soberano chegou a telefonar para o presidente israelense Ezer Weizman para expressar-lhe sua cólera.
O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, também telefonou para o presidente Weizman e para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para expressar suas condolências e em nome dos palestinos. EUA, Grã-Bretanha e Espanha também se levantaram contra o atentado, estimando que este tipo de fatos evidencia a urgência de uma solução para problemas em suspenso. O presidente Bill Clinton condenou o ato nos mais firmes termos, transmitindo pêsames em seu nome e no do povo norte-americano às famílias das vítimas, estimando que nada justifica nem desculpa estas ações.
As meninas foram assassinadas à queima-roupa quando desceram do ônibus em que faziam a excursão. Bakura é território jordaniano explorado pelos israelenses por acordo. Os israelenses podem ir e vir livremente pos este setor, que tinha sido ocupado pelo Estado hebraico em 1948 e que é muito frequentado por turistas devido à beleza de sua paisagem. As jovens faziam uma excursão para percorrer a chamada Fronteira da Paz.
Uma das meninas, Karen Ivry, baleada no estômago, relatou que ela e suas colegas olhavam para a ponte, a qual os soldados disseram que não podiam fotografar, quando o homem começou a atirar. Eu gritava pela minha professora (Rosa Helu), mas ela tinha caído no chão e eu não sabia o que se passava, explica Karen de seu leito no hospital, cuja irmã Melliza também ficou ferida.
Os corpos das sete meninas foram levados para Beth Shemesh (nordeste) onde foram enterrados ontem à noite.
PrisãoNo final do dia, o primeiro-ministro jordaniano Abdel Karim Kabariti anunciou a detenção do soldado - cujo nome não foi liberado - informando que o caso está sob investigação. O autor o atentado será julgado. Será feita justiça, declarou. Kabariti viajou a Bakura para informar-se sobre as circunstâncias do atentado, que qualificou de crime odioso, totalmente injustificado. Trata-se do mais grave incidente ocorrido na fronteira entre Israel e Jordânia desde a assinatura de seu tratado de paz, em outubro de 1994.


