Mais de dez mil palestinos participaram ontem, em Nablus, cidade da Cisjordânia, nos funerais de dois irmãos que morreram na véspera em consequência de um disparo de obus israelense.
Aos gritos de ‘‘Morra Ehud Barak!’’ e ‘‘Morra Ariel Sharon!’’, respectivamente o primeiro-ministro e o chefe da oposição de direita de Israel, a multidão levou os corpos dos irmãos Maed e Samir Adel pelas ruas de Nablus antes do enterro na aldeia de Kafr Jalil.
Homens mascarados e armados se misturavam às pessoas que exibiam bandeiras palestinas, bandeiras verdes do Islã e fotos das vítimas, apresentadas como membros da organização militar do Fatah, movimento do presidente palestino Yasser Arafat.
No Sul da Faixa de Gaza, em Rafah, ao mesmo tempo, três mil palestinos enterravam a Jalil Abu Jazar de 22 anos, morto anteontem.
A tensão era grande em todas as partes, mas não foram registrados enfrentamentos durante a manhã de ontem, com exceção de um choque entre militares israelenses e manifestantes palestinos em Karni, entre a Faixa de Gaza e Israel.
No plano diplomático cabe destacar a intervenção do rei Abdullah II da Jordânia que pediu ontem à comunidade internacional a intervir em favor dos palestinos rebelados contra o exército israelense há dois meses.
‘‘Pedimos à comunidade internacional que assuma sua responsabilidade para que dê fim à injustiça e ao sofrimento do povo palestino e para que garanta sua liberdade e independência em um território nacional’’, declarou o rei, em um discurso no do início da legislatura do parlamento.
Depois de reiterar seu apego ‘‘à opção da paz com base na legalidade internacional que garanta a restituição dos territórios ocupados a seus legítimos proprietários’’, o rei indicou que seu país ‘‘continuará com seus esforços para que se reinicie processo de paz’’.
Os atos de violência iniciados em território palestino desde 28 de setembro já causaram 278 mortos, palestinos em sua grande maioria.
O líder palestino Yasser Arafat chegou ontem de madrugada a Amã, proveniente de Moscou, para reunir-se com o rei Abdullah II, informaram fontes oficiais jordanianas.
‘‘A situação nos territórios palestinos e os meios para pôr fim às agressões israelenses serão o tema principal do encontro’’, acrescentou a fonte.
Arafat, que foi recebido em sua chegada pelo primeiro-ministro Ali Abu Ragheb, informará também ao rei jordaniano sobre os resultados de sua visita a Moscou durante a qual manteve uma entrevista telefônica com o premier israelense Ehud Barak.

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