João Paulo II visita a Armênia
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terça-feira, 25 de setembro de 2001
Michel Viatteau<br> France Presse<br> De Erivan 
O Papa João Paulo II começou ontem uma visita histórica à Armênia, ex-república soviética, pedindo o fim do conflito com o Azerbeidjão e o respeito aos direitos humanos.
Esta é a primeira visita de um Sumo Pontífice à Armênia, que há 1.700 anos adotou o cristianismo como religião de Estado.
Em discurso pronunciado ainda no aeroporto, enfrentando a temperatura de 30º, o Papa pediu ao país que ''busque urgentemente a paz'' e seja mais flexível no conflito com o Azerbeidjão no Alto Karabakh.
''A paz não pode ser construída senão pelos sólidos fundamentos de respeito mútuo, da justiça nas relações intercomunitárias e da generosidade dos mais fortes'', disse.
O Papa, que segunda-feira visitou o Casaquistão, foi recebido pelo chefe da Igreja apostólica armênia, Karekin II, e pelo presidente, Robert Kocharian.
Durante suas viagens às duas ex-repúblicas soviéticas, João Paulo II não se aproximou do Afeganistão, que corre risco de ser atacado pelos Estados Unidos em represália aos atentados de 11 de setembro.
No início dos anos 90, Erivan apoiou os habitantes de origem armênia do Alto Karabakh no Azerbeidjão. O conflito foi encerrado pelo cessar-fogo de 1994, mas as negociações de paz conduzidas pela Organização de Segurança e Cooperação Européia (OSCE) ainda não se consolidaram.
O Sumo Pontífice apresentou aos líderes armênios os compromissos em favor dos direitos humanos que resultam da recente adesão do país ao Conselho da Europa.
Essa adesão ''testemunha vossa determinação em trabalhar com disposição e coragem com o objetivo de promover as reformas democráticas das instituições do país necessárias para garantir o respeito aos direitos humanos e direitos do cidadão'', afirmou.
O Papa falou implicitamente do genocídio armênio durante o império otomano, em 1915, lembrando que o século XX foi para os armênios ''um tempo de muito terror e sofrimento''.
Ao final, João Paulo II agradeceu Karekin II pelo convite para visitar a Armênia e rendeu homenagem ao ''extraordinário testemunho de vida cristã dada pela Igreja apostólica armênia durante tantos séculos''.


