São Paulo - O Papa João Paulo II, 84 anos, está sendo alimentado por uma sonda gástrica, introduzida pelo nariz, para auxiliar na recuperação da cirurgia de traqueostomia realizada em 24 de fevereiro, após uma crise respiratória. A informação foi divulgada ontem pelo porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls.
''Para aumentar o recebimento de calorias e promover uma recuperação eficiente, o Papa está recebendo alimentação por meio de uma sonda gástrica'', diz o comunicado do Vaticano. O Papa ainda mantém a cânula na traquéia, para facilitar a respiração.
Vários jornais italianos têm publicado, nos últimos dias, notícias sobre uma possível terceira internação do Papa, que seria realizada justamente para inserção de uma sonda alimentar. Não há informações, no comunicado divulgado pelo Vaticano, sobre um retorno ao hospital.
O anúncio de Navarro-Valls foi realizado ontem logo após uma nova aparição do Papa aos fiéis. Ele ficou por quatro minutos sentado próximo à janela do seu quarto, no Vaticano, e abençoou os fiéis que estavam na praça São Pedro.
Primeiro, o Papa ouviu uma mensagem para as crianças de Milão, a oração e uma saudação em polonês a seus compatriotas lida em seu nome. Um de seus ajudantes o aproximou de um microfone. O Papa se esforçou para falar, mas rapidamente desistiu. Depois fez vários gestos de bênção, entrecortados por movimentos para recuperar o fôlego. Desde que realizou a traqueostomia, em 24 de fevereiro, João Paulo II teve o uso da voz bastante restringido.
Milhares de fiéis reunidos sob sua janela o ovacionaram. Eles haviam sido avisados de sua aparição uma hora antes pelos telões gigantes instalados na praça de São Pedro.
O Papa não era visto em público desde o domingo de Páscoa, quando foi incapaz de pronunciar a tradicional bênção. Sua ausência na missa da segunda-feira de Páscoa, pela primeira vez em 26 anos de pontificado, desatou novamente as especulações sobre o agravamento de seu estado de saúde.
A primeira internação de João Paulo II neste ano aconteceu em fevereiro, quando foi levado às pressas ao hospital Gemelli, em Roma, no dia 1º. Ele ficou dez dias internado, por conta de uma laringotraqueíte e crises de laringoespasmos (fechamento da laringe que impede a passagem do ar para o pulmões, dificultando a respiração).
Sua segunda internação aconteceu em 24 de fevereiro, data em que sofreu a intervenção cirúrgica na garganta. Dessa vez, João Paulo II ficou 18 dias hospitalizado e recebeu alta no último dia 13. Apesar do mal de Parkinson, o Papa sempre cumpriu sua agenda de compromissos. A última vez em que teve suas reuniões e cerimônias adiadas foi em setembro de 2003, quando cancelou sua audiência pública semanal por causa de uma doença intestinal.

mockup