São Paulo - As condições gerais e cardiorrespiratórias do Papa João Paulo II se agravaram ontem e seus parâmetros biológicos estavam ''notadamente comprometidos'', segundo comunicado lido às 19h (14h no horário de Brasília) pelo porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls. O Pontífice apresentava insuficiência respiratória e renal e pressão arterial baixa. Segundo o Vaticano, João Paulo II não teria perdido a consciência.
O quadro clínico de João Paulo II já havia se deteriorado na madrugada de ontem, quando sofreu um colapso cardíaco e apresentava septicemia (infecção generalizada). Ontem, teve diagnosticada infecção urinária. Na quarta-feira, o Pontífice passou a ser alimentado por meio de um tubo inserido no nariz. Os últimos anos do longo papado do polonês Karol Wojtyla foram marcados pela luta contra várias doenças, agravadas pelo mal de Parkinson.
Na juventude, em Cracóvia, organizava caminhadas, descia rios de caiaque e subia montanhas de bicicleta. Também jogou futebol e era considerado um bom goleiro. Nem mesmo um acidente sofrido na década de 40, que o deixou com um ombro mais alto do que o outro, afastou o futuro Pontífice do mundo dos esportes.
Já como chefe da Igreja Católica, cultivou a imagem de atleta, uma excentricidade para o mundo eclesiástico romano. Adorava esquiar. ''Rezo todos os dias para evitar a tentação'', disse a um repórter da agência France Presse, em 1979, enquanto olhava um par de esquis feitos à mão que ganhou de um artesão em Cortina D'Ampezzo, nos Alpes italianos.
O primeiro grande problema e ponto inicial da deterioração da saúde de Wojtyla aconteceu em 1981, menos de três anos após ter sido eleito Papa. No dia 13 de maio, às vésperas de completar 61 anos, o Pontífice foi alvejado em plena praça São Pedro, no Vaticano, pelo turco Mehmed Ali Agca. Os tiros o atingiram no abdômen, na mão esquerda e no braço direito. Passou 20 dias internado e chegou a receber a unção dos enfermos antigamente chamada de extrema-unção, sacramento a pessoas em perigo de morte. Sofreu diversas cirurgias e nunca se recuperou por completo.
A doença se agravou neste ano. O Papa começou ter dificuldade de respirar e de se alimentar. Debilitado, contraiu gripe e foi internado em fevereiro. Foi submetido a traqueostomia incisão de um tubo na traquéia para que o ar entrasse diretamente nos pulmões. A última intervenção no Papa foi a inserção de uma sonda no nariz, nesta semana, pela qual passou a ser alimentado.

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