Cidade do Vaticano João Paulo II havia admitido, em 2000, a possibilidade de renunciar, mas acabou permanecendo no cargo por considerar que Deus, que o salvou no dia do atentado de 1981, indicaria o momento oportuno para deixar o comando da Igreja Católica.
Esta revelação aparece no testamento espiritual do Papa, oito páginas datilografadas e 15 manustritas, que teve a tradução italiana publicada ontem no Vaticano.
Trata-se, na verdade, de uma sucessão de textos breves, contendo essencialmente meditações sobre a vida e a morte redigidas em 1979, 1980, 1982 e 2000, sempre nos meses de fevereiro e março, durante os exercícios espirituais. A apresentação dos textos sugere que João Paulo II pretendia transformá-los algum dia em um documento único, mas que acabou abandonando a idéia.
''Como quis a Divina Providência, vivi um século difícil, que está prestes a se incorporar ao passado. E agora, neste ano em que alcanço minha oitava década de vida, tenho que me perguntar se não chegou a hora de repetir como Simeão da Bíblia Nunc dimittis'', escreveu o Papa.
'Nunc dimittis' é o título latino de um canto bíblico famoso, ''Deixe-me agora, Senhor, ir em paz''. ''No dia 13 de maio de 1981 (o atentado contra o Papa cometido durante a audiência geral na praça São Pedro), a Divina Providência me salvou milagrosamente da morte. O Senhor prolongou minha vida e, de alguma forma, me fez nascer de novo'', prosseguiu.
''A partir deste momento, minha vida Lhe pertence ainda mais. Espero que Ele me ajudará a perceber até quando devo continuar a missão que Ele me atribuiu no dia 16 de outubro de 1978'' a data de sua eleição , escreveu João Paulo II, admitindo implicitamente que esteve disposto a renunciar à direção da Igreja Católica.
''Peço a Ele que me chame de volta quando achar melhor'', prosseguiu, antes de expressar a esperança de que Deus lhe ''dê as forças necessárias''.

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