O papa pediu na sexta-feira a abolição da pena de morte em todo o mundo e afirmou que a violência sem sentido e o abuso da dignidade humana ofuscaram a felicidade da temporada do Natal para muitas pessoas.
O pedido específico do pontífice para o fim da pena de morte, feito em sua mensagem de Natal ‘‘Urbi et Orbi’’ (para cidade e para o mundo), foi significativo, já que ocorreu um mês antes da sua viagem aos Estados Unidos, onde a pena de morte é regularmente aplicada.
O papa, de 78 anos, expressou também sua preocupação com a tumultuada situação no Oriente Médio e denunciou os responsáveis de crimes de guerra e genocídio.
Depois desejou um feliz Natal ao mundo em 58 idiomas, incluindo o hebreu, árabe, albanês e outras línguas faladas nas regiões mais conflituosas do mundo.
Chefe de uma igreja integrada por um bilhão de adeptos, e no vigésimo primeiro ano de seu histórico pontificado, o líder católico disse que a serenidade dos cânticos tem um grande contraste com os grandes problemas do mundo.
Dirigindo-se à uma multidão de dezenas de milhares de pessoas, o papa falou de ‘‘situações trágicas que às vezes envolvem a culpa humana e também a maldade, traduzidas num ódio fratricida e numa violência sem sentido’’.
O pontífice, cujo discurso proferido do balcão central da Basílica de São Pedro foi televisionado diretamente para 45 países, pediu que a luz que emana do lugar onde nasceu Jesus salve a humanidade do perigo de resignar-se diante do cenário tão revoltante que oferecem algumas zonas do mundo.
‘‘Oxalá a proclamação do Natal seja uma fonte de ânimo para todos os que trabalham a fim de ajudar na resolução da tumultuada situação do Oriente Médio, respeitando compromissos internacionais’’, disse João Paulo II, que parecia cansado enquanto falava à multidão. Além disso, o papa expressou o desejo pelo fortalecimento e renovação no mundo todo de um consenso quanto à necessidade de tomar medidas urgentes e adequadas para a detenção da fabricação de armas, defesa da vida humana e proibição da pena de morte.
Na sua encíclica de 1995 ‘‘O Evangelho da Vida’’, o papa afirmou que os meios atuais de castigar, reprimir e prevenir o crime e os delitos fizeram ver que os casos onde é necessário aplicar a pena de morte são ‘‘algo muito pouco comum, praticamente inexistentes’’.

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