São Paulo - João Paulo II, morto no início de abril, redigiu uma carta que não chegou a enviar ao turco que tentou assassiná-lo em 1981. O texto foi encontrado em seus arquivos pessoais, e sua existência foi revelada ontem, em Varsóvia, pelo jornal ''Rzeczpospolita''.
O jornal cita o ex-secretário particular do Papa morto, arcebispo Stanislaw Diwisz, que disse que a carta não chegou a ser mostrada a nenhum assessor do Vaticano.
Sem data e redigida entre maio de 1981 e dezembro de 1983, a carta teve apenas uma frase revelada por Diwisz. ''Por que atirastes em mim se nós dois acreditamos num único Deus?''
Agca, um muçulmano, estaria a serviço do serviço secreto búlgaro, acionado pela KGB, o serviço de inteligência soviético, segundo revelações recentes. Ele disparou contra o Papa quando este atravessava a praça São Pedro num carro conversível. O Papa foi gravemente ferido no abdômen.
João Paulo II perdoou o criminoso e chegou a visitá-lo na prisão, em dezembro de 1983. Agca foi extraditado há cinco anos para a Turquia, onde já havia sido condenado a sete anos por um roubo a mão armada e à prisão perpétua pena comutada a dez anos por um assassinato, em 1979.
O cardeal-arcebispo de Colônia, Joachim Meisner, revelou ontem que Bento XVI visitará em agosto próximo uma sinagoga, quando participar, na Alemanha, das Jornadas Mundiais da Juventude. O Papa pretende fazer para os judeus alemães um pronunciamento em hebraico.
Será um ''símbolo claro'', declarou Meinster, de sua solidariedade aos judeus deportados e mortos durante o Holocausto. Segundo o cardeal, será ''um sinal a nossos irmãos e irmãs mais velhos da comunidade judaica de que devemos fazer de tudo para que isso jamais se repita''.

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