João Paulo II divide governo italiano
João Paulo II divide governo italiano
No vigésimo aniversário da lei que permite o aborto, o Papa inicia campanha pela sua revogação
France Press
France PresseVisitaO Papa João Paulo II se mistura ao povo durante visita pastoral que realizou ontem a Vercelli, na ItáliaAs enérgicas declarações do Papa João Paulo II contra o direito ao aborto dividiram ontem o governo italiano de centro-esquerda, integrado por uma aliança de ex-comunistas e católicos praticantes. Por ocasião do vigésimo aniversário da legalização do aborto na Itália, o Sumo Pontífice pediu ontem aos católicos que se comprometam politicamente para suprimir essa lei, que, segundo ele, permitiu que três milhões e meio de crianças fossem eliminadas em 20 anos.
Segundo notícia do Corriere della Sera de ontem, essas declarações desencadearam um terremoto na coalizão governamental. Para o Repubblica, o Papa está realizando terrorismo psicológico para obter a anulação de uma lei.
Os católicos do governo, começando pelo presidente do Conselho, Romano Prodi, e sua ministra da Saúde Pública, Rosy Bindi, religiosa laica que fez voto de castidade, pareciam confusos ante a situação. Como democratas católicos, não podemos ser favoráveis à lei 194 (que autoriza o aborto), declarou Rosa Russo Jervolino, do Partido Popular Italiano (PPI, democrata-cristiano), ao qual está vinculado Prodi.
As mulheres ex-comunistas do governo, Livia Turco (Solidariedade Social) e Anna Finocchiaro (Oportunidades Iguais), que lideraram a batalha das feministas nos anos 70 para obter o direito ao aborto, defenderam energicamente a lei.
Desde a legalização do aborto, as interrupções voluntárias da gravidez (IVG) diminuíram 41% durante os últimos 10 anos, destacaram Turco e Finocchiaro. Segundo o Instituto Italiano de Estatísticas (ISTAT), houve 233.000 IVG em 1983 e 138.000 em 1996, e os abortos clandestinos praticamente desapareceram.
La Repubblica estima, no entanto, que os reiterados chamados do chefe da Igreja Católica contra o aborto, a pílula e os preservativos não serão ouvidos, como é habitual. Esta atitude do Papa é um dos motivos do afastamento dos inúmeros católicos da prática religiosa, enfatiza o jornal.





