Roma - O Papa João Paulo II se mostra convencido em seu último livro ''Memória e Identidade'', apresentado ontem em Roma, de que o atentado que sofreu no dia 13 de maio de 1981, e que lhe feriu gravemente, foi planejado, ainda que não tenha revelado de quem suspeita.
''Ali Agca, todo mundo diz, é um assassino profissional... o que quer dizer que ele não cometeu o atentado por iniciativa própria, mas que alguém planejou para que ele cometesse'', sustenta o Papa no último capítulo do livro, que adota a forma de um diálogo com seu secretário pessoal, Stansilaw Dziwisz.
O Papa visitou Ali Agca na prisão em 1983. ''Durante todo o nosso encontro, ele continuava se perguntando o porquê de o atentado não foi bem executado. Tinha feito tudo que era necessário, cuidado dos mínimos detalhes... no entanto, sua vítima sobreviveu à morte. Como isso poderia acontecer?'', lembra João Paulo II no livro. ''Acredito que o atentado foi um dos últimos sobressaltos de ideologias da supremacia que se desenrolaram no decorrer do século XX'', continua o texto.
Monsenhor Dziwisz, que se encontrava junto ao Papa quando ele foi ferido no abdômen, explica que João Paulo II estava praticamente perdido quando chegou ao hospital.''O Santo Padre foi imediatamente transportado à sala de operações. Estava em estado muito grave e seu organismo havia perdido muito sangue... a pressão caía de maneira dramática e o batimento cardíaco praticamente não era percebido'', contou Dziwisz.
''Seu corpo rejeitou uma primeira transfusão de sangue, mas os médicos deram seu próprio sangue para o Pontífice. Esta segunda transfusão funcionou e os médicos procederam a cirurgia sem acreditar na sobrevivência do paciente'', sustentou.
O Papa diz ainda que esteve um longo período sem consciência. ''João Paulo II acrescentou que nunca soube o quanto grave era o seu caso''. ''Os três dias seguintes foram terríveis... o Santo Padre sofria muito. E, apesar de tudo, sua convalescença foi muito rápida'', destacou Dziwisz. ''Isso demonstra que tenho uma constituição bem robusta'', concluiu o Papa.

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