João Paulo é o papa da reconciliação
Martin Marty
Do Newsweek
De Jerusalém
Um ilustre historiador diz que os esforços do papa João Paulo II para reunir muitos credos o tornam um exemplo que os filhos de Deus devem seguir. Reconciliação, palavra-chave no vocabulário cristão, é a meta das atividades do papa nesta virada do milênio.
Em nenhum outro caso o esforço para reconciliar e se reconciliar é mais evidente do que em dois atos que os meios de comunicação dizem não ter precedentes. Um é o pedido de perdão por todo o mal que a Igreja Católica Romana praticou, principalmente contra pessoas de outros credos. O outro é a viagem à Terra Santa, onde os filhos de Abraão, cristãos, judeus e muçulmanos vivem num conflito imemorial. Não vai ser fácil, mas com seus esforços o papa tenta ensinar que nenhum filho de Deus deve furtar-se à tentativa de reconciliação.
No século 21, nem todos os termos cristãos são mais facilmente apreendidos do que reconciliar. Empregamo-lo para falar de famílias que, após a separação e até o ódio, procuram e experimentam a liberdade que vem quando elas se reconciliam. O vocabulário dos cristãos vem das Escrituras, principalmente do Novo Testamento. Com esse vocabulário eles traçam quadros de reconciliação em duas dimensões bem diferentes, mas relacionadas.
Eles pensam num sentido vertical: Deus e os seres humanos. A outra é horizontal: seres humanos e seres humanos. Nas cartas de Paulo eles lêem que Deus esteve em Cristo reconciliando o mundo contra ele próprio, não usando as faltas de ninguém contra eles.
A maioria dos 2 bilhões de cristãos atuais vê na cruz e na atividade reconciliadora de Deus um amor divino, habilitador. Eles vêem no Cristo reconciliador alguém que concede poderes aos reconciliadores inabaláveis Martin Luther King, papa João XXIII, Dorothy Day, Desmond Tutu e tantos antônimos que combateram o abuso. Todos eles têm o mesmo Jesus e a mesma figura do Novo Testamento, e outros Jesus diferentes, deles próprios.
Esta dimensão horizontal, de humanos para humanos, ingressa no vocabulário cristão por meio da forte influência do livro que os cristãos chamam de Antigo Testamento e portanto tem origem judaica. Jesus reflete isso no Sermão da Montanha: Se você está trazendo sua oferenda para o altar e ali lembra que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferenda ali diante do altar, vá e se reconcilie com seu irmão primeiro, depois volte e apresente sua oferenda.





