O Papa João Paulo II não concordou, ontem, em ‘‘dar dignidade matrimonial’’ às uniões livres e a casais formados por pessoas do mesmo sexo.
Em audiência no Vaticano com os advogados do tribunal eclesiástico da ‘‘Rota Romana’’, o Papa considerou ‘‘inconveniente’’ a pretensão de considerar ‘‘realidade conjugal as uniões entre pessoas do mesmo sexo’’.
Para o Sumo Pontífice ‘‘só através da união entre duas pessoas sexualmente distintas pode se alcançar a perfeição individual, como uma síntese de unidade e mútuo complemento psico-físico’’, explicou.
Ao se dirigir aos advogados, que dentro da Igreja se ocupam de anular casamentos, João Paulo II se referiu à ‘‘natureza do casamento’’ e ao ‘‘conceito de amor conjugal’’, o qual não deve ser confundido ‘‘com um sentimento vago ou uma forte atração física (...), fruto frequente de forças irracionais e aberrantes, que não dão estabilidade’’ e, portanto, tornam a relação facilmente exposta e fadada ao fim.
Para o líder da Igreja católica, o amor conjugal não deve ser só sentimento, mas também ‘‘um compromisso com outra pessoa, que deve se concretizar com um ato preciso de vontade’’.
João Paulo II referiu-se ainda ‘‘à essencial diferença entre uma mera união de fato - ainda que baseada em amor - e o casamento, em que o amor não se traduz unicamente em compromisso moral, mas também jurídico’’.
Sobre a definição de realidade conjugal entre pessoas do mesmo sexo, o Papa garantiu que para conseguí-la existe uma ‘‘impossibilidade objetiva: a trasmissão da vida, de acordo com o projeto de Deus esboçado na estrutura do ser humano’’.
A postura do Papa vai provocar, sem dúvida, protestos de grupos homossexuais, tanto na Europa quanto em outros continentes, o que, porém, parece não preocupar o Sumo Pontífice da Igreja católica.

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