João Paulo condena união de pessoas do mesmo sexo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de janeiro de 1999
France-Presse 
O Papa João Paulo II não concordou, ontem, em dar dignidade matrimonial às uniões livres e a casais formados por pessoas do mesmo sexo.
Em audiência no Vaticano com os advogados do tribunal eclesiástico da Rota Romana, o Papa considerou inconveniente a pretensão de considerar realidade conjugal as uniões entre pessoas do mesmo sexo.
Para o Sumo Pontífice só através da união entre duas pessoas sexualmente distintas pode se alcançar a perfeição individual, como uma síntese de unidade e mútuo complemento psico-físico, explicou.
Ao se dirigir aos advogados, que dentro da Igreja se ocupam de anular casamentos, João Paulo II se referiu à natureza do casamento e ao conceito de amor conjugal, o qual não deve ser confundido com um sentimento vago ou uma forte atração física (...), fruto frequente de forças irracionais e aberrantes, que não dão estabilidade e, portanto, tornam a relação facilmente exposta e fadada ao fim.
Para o líder da Igreja católica, o amor conjugal não deve ser só sentimento, mas também um compromisso com outra pessoa, que deve se concretizar com um ato preciso de vontade.
João Paulo II referiu-se ainda à essencial diferença entre uma mera união de fato - ainda que baseada em amor - e o casamento, em que o amor não se traduz unicamente em compromisso moral, mas também jurídico.
Sobre a definição de realidade conjugal entre pessoas do mesmo sexo, o Papa garantiu que para conseguí-la existe uma impossibilidade objetiva: a trasmissão da vida, de acordo com o projeto de Deus esboçado na estrutura do ser humano.
A postura do Papa vai provocar, sem dúvida, protestos de grupos homossexuais, tanto na Europa quanto em outros continentes, o que, porém, parece não preocupar o Sumo Pontífice da Igreja católica.


