France PresseJingsheng: 15 anos na prisãoO mais destacado dissidente chinês, Wei Jingsheng, condenado a 14 anos de prisão em 1995 por suposta ‘‘conspiração para derrubar o governo’’, chegou ontem a Detroit (EUA) para tratamento médico.
Wei, de 47 anos, foi posto em liberdade condicional, no sábado, por motivos de saúde, três semanas depois da histórica visita do presidente chinês, Jiang Zemin, aos EUA.
Em 1979, Wei já havia sido julgado e condenado a 15 anos de prisão por delitos ‘‘contra-revolucionários’’ e suposta ‘‘infiltração de segredos de Estado a estrangeiros’’ - ele foi libertado seis meses antes do final da pena.
Depois de quase duas décadas passadas em presídios chineses, muitos dos quais em isolamento, a saúde de Wei deteriorou consideravelmente, disse seu irmão em entrevista, pouco antes de seu embarque.
‘‘Ele está de muito bom humor, porque ele sempre foi assim’’, declarou Wei Xiaotao. ‘‘Ele voltará um dia’’, acrescentou.
O chefe do gabinete da Casa Branca, Erskine Bowles, disse ontem que o presidente Bill Clinton ‘‘está muito contente’’ por Wei estar nos EUA, acrescentando que Clinton quer muito encontrar-se com Wei tão logo ele termine seu tratamento.
Ativistas de direitos humanos e pró-democracia em Hong Kong receberam com satisfação a notícia da libertação de Wei, pedindo para que outros dissidentes também fossem libertados.
‘‘A notícia é muito bem-vinda porque Wei é um homem muito doente e precisa de atenção médica, mas esta é apenas uma gota no oceano’’, disse Robin Munro, do grupo Human Rights Watch Asia.
Em Nova York, um grupo de direitos humanos exige que o presidente Bill Clinton condicione sua viagem à China, no próximo ano, à libertação de 27 dissidentes chineses e tibetanos.
Apesar das severas críticas quanto a sua política de direitos humanos, o governo chinês argumenta que vestir e alimentar uma população de 1,2 bilhão de pessoas é mais importante do que a questão dos direitos políticos.

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