A Igreja Católica solicitou ontem um ‘‘estatuto de garantia internacional’’ para os lugares santos de Jerusalém, durante as próximas negociações entre israelenses e palestinos sobre o futuro da cidade.
Em um comunicado publicado no Patriarcado latino de Jerusalém, a Igreja Católica chamou israelenses e palestinos para definir, com ajuda da comunidade internacional, ‘‘um estatuto final para a cidade santa que tenha em conta as preocupações e esperanças dos crentes’’.
A Igreja Católica pede ‘‘um estatuto especial garantido internacionalmente para as partes sagradas de Jerusalém’’, diz o texto, publicado após um simpósio que reuniu o chefe da diplomacia vaticana, monsenhor Jean-Louis Tauran, três cardeais e 30 bispos.
O texto indica que o objetivo da Igreja é ‘‘conseguir uma paz estável em Jerusalém’’.
Além de sublinhar o caráter ‘‘único’’ da cidade, sede das três maiores religiões monoteístas, que deveria ser ‘‘um símbolo universal de fraternidade e de paz’’, convocou judeus, cristãos e muçulmanos a cooperar para que ‘‘Jerusalém seja um lugar de encontro e de reconciliação’’ às portas do ano 2000, quando serão celebrados os 2000 anos do nascimento de Jesus.
O estatuto que a Igreja pede deveria reconhecer os direitos de todos os habitantes da cidade e das três comunidades religiosas, anuncia o comunicado.
Monsenhor Tauran pediu na segunda-feira que a Santa Sé esteja associada às próximas negociações entre Israel e Palestina sobre o futuro de Jerusalém.
Ontem o Vaticano sublinhou que não quer interferir no estatuto político da cidade.
‘‘A Santa Sé não quer interferir na decisão de Jerusalém ser a capital dos palestinos ou dos israelenses’’, declarou.
As negociações sobre o estatuto final dos territórios palestinos, incluindo o Leste de Jerusalém, que foi conquistado e anexado por Israel en 1967, devem ser iniciadas no princípio de novembro, segundo os termos do acordo assinado entre Israel e Palestina na sexta-feira passada durante o encontro de Wye Plantation, próximo a Washington.
A anexação do Leste de Jerusalém não é reconhecida pela comunidade internacional nem pelo Vaticano.
O chefe da diplomacia vaticana reiterou que ‘‘nada pode impedir que Jerusalém, em sua unidade e dignidade, se converta no símbolo e no centro nacional de dois povos (israelense e palestino) que a reivindicam como sua própria capital.’’
O interesse do Vaticano pela Cidade Santa é motivado principalmente pela presença, em Jerusalém, do principal lugar sagrado do cristianismo, o Santo Sepulcro, onde, segundo a tradição, Jesus Cristo foi crucificado e enterrado antes de ressuscitar ao terceiro dia.
Vaticano e Israel se reconheceram mutuamente em 1993, estabeleceram relações diplomáticas em 1994 e firmaram em 1997 um acordo que legaliza pela primeira vez o estatuto da Igreja Católica na Terra Santa.
O acordo não é aceito pelos palestinos, pois para estes últimos ele é um reconhecimento, de fato, da soberania israelense no Leste de Jerusalém. Os palestinos querem fazer do Leste de Jerusalém a capital do Estado Independente que Yasser Arafat deve proclamar em maio de 1999.Arquivo/FolhaBanda palestina desfila em Jerusalém. Local santo para três religiões, o status da cidade é tema de debatesFrance Press

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