Jerusalém é questão inegociável no acordo
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domingo, 20 de agosto de 2000
Associated Press De Jerusalém 
O gabinete palestino disse ontem que não fará concessões a Israel a respeito de Jerusalém. Trata-se de uma questão inegociável, tanto hoje, como amanhã e no futuro, advertiram os palestinos, enfatizando que Israel deve retirar-se de Jerusalém Oriental.
A declaração foi considerada dura em meio às tentativas do enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, Dennis Ross, de reavivar as conversações de paz, e ganhou novo impacto após um funcionário da Autoridade Palestina declarar que, em meio à crise, os colonos judeus da Cisjordânia e da Faixa de Gaza podem tornar-se reféns dos árabes.
Ahmed Abdel Rahman, secretário-geral da Autoridade Palestina, ameaçou Israel ao mesmo tempo que o primeiro-ministro israelense Ehud Barak declarava que os palestinos ainda não demonstraram flexibilidade suficiente para concluir um acordo de paz.
Quanto ao retorno do enviado dos EUA, Dennis Ross, ao Oriente Médio para tentar reativar as negociações de paz, tanto os israelenses como os palestinos disseram que Ross não foi portador de nenhuma proposta nova para a região.
Estamos em compasso de espera, uma vez que não percebemos (do lado palestino) nenhuma abertura nem desejo de discutir as idéias lançadas em Camp David, disse Barak, ao reunir-se ontem com o gabinete israelense. Ainda desconhecendo as advertências da Autoridade Palestina sobre Jerusalém, Barak havia dito que quando os líderes mundiais se reunissem nas Nações Unidas, no próximo mês, haveria a oportunidade de colher os frutos dos esforços diplomáticos feitos nas últimas semanas.
Por sua vez, o líder palestino Yasser Arafat continua em seus esforços diplomáticos em busca de apoio para cumprir sua promessa de declarar unilateralmente o Estado palestino em 13 de setembro. Hoje ele se encontrará em Alexandria, no Egito, com o enviado americano Dennis Ross e o presidente egípcio Hosni Mubarak. Na terça-feira, Arafat receberá em Ramallah a visita do rei da Jordânia, Abdullah o qual em seguida se encontrará com Barak em Tel Aviv.
Enquanto o impasse se prolonga, o confronto no Oriente Médio provocou ontem mais uma vítima: um menino de 13 anos, Moin Talakhme, morreu na aldeia de Kafr al-Burj, na Cisjordânia, ao pisar numa bomba deixada nas proximidades de um quartel do Exército israelense.


