Apesar das posições de israelenses e palestinos sobre Jerusalém serem teoricamente irreconciliáveis, Israel se mostrava ontem disposto a aceitar um acordo simbólico com os palestinos para evitar um fracasso na reunião de cúpula de Camp David.
Segundo o jornal Haaretz, o primeiro-ministro Ehud Barak tem previsto apresentar, durante a reunião de cúpula com o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, um plano que concederia uma ampla autonomia aos subúrbios palestinos de Jerusalém.
Uma solução ‘‘em nível municipal’’ evitaria dividir a Cidade Santa, afirmou, em declarações à rádio pública, o vice-ministro da Defesa Efraim Sneh, para quem sem solução sobre a questão de Jerusalém ‘‘não pode haver solução para o conflito israelense-palestino’’.
A posição oficial de Israel é que Jerusalém deve continuar sendo a capital ‘‘eterna e indivisível’’, enquanto que os palestinos querem estabelecer a capital de seu futuro Estado em seu setor Oriental, onde se encontram os lugares sagrados mais importantes do judaísmo e cristianismo e alguns lugares santos do Islã.
Para o ministro da Justiça, Yossi Beilin, artífice dos acordos de Oslo de 1993, é possível encontrar ‘‘soluções simbólicas’’ que permitam a israelenses e palestinos afirmarem que Jerusalém é sua capital.
‘‘Jerusalém é problemática por causa da percepção, por causa da emoção e por causa dos símbolos’’, afirmou Beilin.
‘‘Não se trata de um problema real como o da segurança; se pudermos resolver o problema simbólico com soluções simbólicas, então poderemos encontrar soluções reais para o problema’’, explicou.
Mas se os negociadores em Camp David ‘‘começam a discutir para saber quem é o proprietário e quem é o dono desta cidade, as conversações serão um fracasso’’, considerou.
Por sua parte, o responsável palestino da questão de Jerusalém, Faisal Huseini, afirmou anteontem que os palestinos desejam uma cidade unificada que poderá ser tanto a capital de Israel, como de Palestina.
‘‘Será uma cidade aberta, onde o Leste será capital palestina e o Oeste capital israelense, mas a cidade em si continuará aberta’’, afirmou Huseini.
Mas a idéia de um controle palestino em Jerusalém – simbólico, municipal ou qualquer outro – repele muitos israelenses conservadores, entre eles o prefeito Ehud Olmert.
‘‘O único estatuto para Jerusalém é o da capital unificada de Israel; todas estas idéias de divisão ou de administração comum são totalmente falsas e estão fora de lugar’’, declarou à imprensa.

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