Londres - A polícia britânica matou o brasileiro Jean Charles de Menezes, a quem confundiu com um terrorista, com balas do tipo ''dum dum'', cujo uso é proibido na guerra pelas convenções internacionais, revelou ontem o jornal The Daily Telegraph.
Esse tipo de bala tem uma ponta oca, que se ramifica pelo corpo na hora do impacto, causando danos máximos à vítima. Segundo o jornal, a primeira vez que as forças de segurança britânicas empregaram esse tipo de munição foi contra o jovem eletricista de 27 anos.
A Scotland Yard decidiu utilizar esse tipo de bala nas operações antiterroristas porque causam poucos danos materiais, explicou a publicação. As balas ''dum dum'' criadas pelos britânicos durante suas guerras coloniais foram proibidas pela Declaração de Haia, em 1899.
O jornal reporta que a decisão de utilizar essas balas, assim como a política de ''disparar a matar'', conhecida sob o nome de Kratos, foi tomada pela polícia em segredo, sem consultar o Parlamento. No entanto, o Ministério do Interior soube há três anos que a polícia estava considerando o uso de balas ''dum dum''.
O ministério confirmou que a polícia pode utilizar a munição que ''considera apropriada para fazer frente a suas necessidades operacionais''. Desenhada pelo capitão Bertie-Clay, a bala tem esse nome porque foi fabricada no arsenal de Dum-Dum, perto de Calcutá, no final do século 19.
Segundo o jornal, a legislação britânica não proíbe o uso das balas ''dum dum''. Esta informação certamente aumentará a polêmica sobre a morte de Jean Charles de Menezes em 22 de julho, com sete tiros na cabeça disparados por agentes da Scotland Yard na estação do metrô de Stockwell, sul de Londres.
A controvérsia sobre o comportamento dos policiais ao abater Jean Charles quando o brasileiro já se encontrava imobilizado no chão e cercado de agentes de segurança atingiu o chefe da polícia metropolitana de Londres, Sir Ian Blair, que admitiu que poderá ter de abandonar o cargo devido a este caso.
O assassinato do brasileiro está sendo investigado pela Comissão Independente que examina as queixas contra a polícia britânica (IPCC), e que deve publicar os resultados de suas consultas ainda em dezembro.

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