Jatos privados de Kadafi passam pelo espaço aéreo europeu
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quarta-feira, 09 de março de 2011
Folhapress 
São Paulo -Três jatos privados da família do ditador líbio, Muamar Kadafi, foram detectados pelo controle aéreo de Malta, informou ontem a emissora de televisão árabe Al Jazeera. Os três aviões Falcon de Gaddafi, cada um com capacidade de seis a oito passageiros, decolaram de Trípoli com destino a Viena, Atenas e Cairo, segundo a Al Jazeera. Uma fonte do Ministério de Defesa grego afirmou que um dos aviões de Kadafi passou pelo país rumo ao Egito.
Segundo uma fonte da Força Aérea grega, citada pela mesma agência, o piloto do Falcon 900 da Libyan Airlines negou que haja autoridades entre os passageiros.
''O piloto registrou um plano de voo de Trípoli para o Cairo'', indicou a fonte. Ninguém informou quem viajava nas aeronaves, mas a notícia dá força aos rumores de que Kadafi negocia com os rebeldes sua renúncia e saída do país.
Em entrevista gravada na noite de anteontem em Trípoli e transmitida ontem pela rede de televisão francesa ''LCI'', Kadafi denunciou que os países ocidentais ''querem colonizar a Líbia novamente'', citando em particular Estados Unidos, Reino Unido e França.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de negociar com o Conselho Nacional, Kadafi respondeu que ''não há um Conselho Nacional''. O líder líbio também assinalou que os ex-membros de seu governo que se somaram ao Conselho na verdade ''foram retidos pela força'' e ''ameaçados de morte'', de modo que sua única saída foi comprometer-se com os insurgentes.
Zona de exclusão
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse ontem, em entrevista a uma emissora de TV, que qualquer imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia deve ter apoio internacional e não ser um esforço liderado pelos Estados Unidos.
''Queremos ver a comunidade internacional apoiar isso'', afirmou Hillary, quando questionada sobre o tema. ''Acredito que é muito importante que isso não seja um esforço liderado pelos EUA porque isso vem do próprio povo da Líbia. Isso não veio de fora, isso não veio de alguma potência ocidental ou algum país do golfo dizendo 'Isso é o que você deve fazer'.''
Forças leais a Kadafi estão tentando acabar com uma revolta contra o regime do mandatário, que já dura 42 anos. Hillary disse que a crise pode ser demorada. ''Pedimos ao coronel Gaddafi para sair. Acreditamos que ele totalmente perdeu qualquer legitimidade ao poder. Quando um líder se vira contra seu próprio povo, isso é o fim. Mas sabemos que há uma longa estrada pela frente para ser capaz de tentar resolver isso.''
O Reino Unido e a França estão trabalhando no Conselho de Segurança da ONU em uma resolução para estabelecer uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia que poderia ser aplicada, caso as condições pedissem por isso. Mas aliados ocidentais aparentam estar divididos sobre o tema. Há dúvidas também se China e Rússia apoiariam a decisão.


