São Paulo - Em discurso na sessão de abertura da Cúpula Ásia-África, que começou ontem em Jacarta, na Indonésia, com mais de 50 chefes de Estado, o primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, pediu desculpas pelas atrocidades cometidas por seu país durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
O primeiro-ministro reforçou a intenção de reparar ''o tremendo dano e sofrimento que o Japão causou no passado a muitos países, em particular às nações asiáticas', afirmou. Koizumi acrescentou que ''o Japão enfrenta estes fatos da história com espírito de humildade''. As autoridades japonesas tentam marcar um encontro com o primeiro-ministro japonês e o presidente chinês, Hu Jintao, para colocar fim às tensões entre os dois países.
As relações bilaterais entre China e Japão ficaram tensas depois que Tóquio autorizou uma nova edição de um manual de história que minimiza as atrocidades cometidas na Ásia pelo Japão imperial nos anos 30-40. O livro não utiliza a palavra ''invasão'' quando cita a guerra que o Japão travou na China nesse período.
Dezenas de milhares de pessoas protestaram no último fim de semana em várias cidades chinesas pelo segundo final de semana consecutivo. Os consulados japoneses de Shanghai (leste) e Shenyang (nordeste) foram alvos de pedradas. O ministro japonês das Relações Exteriores, Nobutaka Machimura, que visitou Pequim no domingo, exigiu desculpas pelos atos de violência, mas a China se nega a acatar a exigência.
Uma autoridade chinesa chegou a dizer que a atual crise nas relações entre China e Japão é a mais grave entre os dois gigantes asiáticos desde o estabelecimento de relações diplomáticas em 1972. ''Existem graves litígios entre China e Japão neste momento. É o período mais difícil desde o estabelecimento de relações diplomáticas em 1972'', declarou o vice-ministro das Relações Exteriores, Wu Dawei.

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