Japão oficializa símbolos polêmicos da era imperial
Ansa
De Tóquio
O Japão reconheceu ontem a bandeira com o sol nascente (Hinomaru) e o hino O reino de sua majestade (Kimigayo, uma ode ao imperador) como os símbolos oficiais do país, depois de 54 anos de muita discussão e polêmica. Os partidos de esquerda, no entanto, não parecem dispostos a colocar um fim em sua histórica oposição aos dois símbolos.
Muitos japoneses se opõem à bandeira e ao hino porque ambos estão ligados a uma era negra da história do país - ao período de expansão militar do Japão. A nova lei também foi criticada por políticos e acadêmicos asiáticos.
A bandeira sempre será um símbolo da agressão japonesa e lembrará o povo da tristeza do passado, reabrindo antigas feridas, disse Albert Ho, um político de Hong Kong. A nova lei contribui para a impressão de que o Japão está revivendo o militarismo, acrescentou. O professor de história de Xangai, Su Zhiliang, considera a aprovação dos símbolos como um perigoso sinal do crescimento do nacionalismo japonês, informou a agência de notícias Kyodo News.
No aniversário do bombadeio atômico de Nagasaki, a Câmara Alta do Congresso japonês aprovou nesta segunda-feira, por 166 votos a favor e 71 contra, a lei que reconhece o hino e a bandeira, após a aprovação da mesma em 22 de julho pela Câmara Baixa. Até hoje, ambos os símbolos - os mesmos de antes e durante a Segunda Guerra Mundial - haviam sido utilizados somente por costume, sendo a bandeira hasteada do lado de fora de escolas e edifícios governamentais e o hino tocado em eventos esportivos e cerimônias públicas.
Os principais oponentes aos símbolos no Japão são os professores, que chegaram a queimar a bandeira de sol nascente nos anos 60 e 70. Eles argumentam que os símbolos foram usados para inspirar o militarismo que levou à Segunda Guerra Mundial.
O governo tentou amenizar a polêmica e não introduziu na lei eventuais sanções para quem continuar rejeitando ambos os símbolos. Contudo, em julho, uma medida punitiva foi adotada contra um professor de música de Tóquio, que havia se negado a acompanhar com o piano um coro de estudantes que deveria cantar o hino. Tal episódio foi agravado pelo fato dessa medida ter sido imposta alguns meses depois da renovação do pacto militar com os Estados Unidos, que confiou às tropas japonesas um papel de apoio logístico ao exército norte-americano em caso de guerra no Pacífico. Trata-se de uma responsabilidade inédita ao Japão desde o final da Segunda Guerra Mundial.





