Japão muda horários e guarda-roupa para evitar apagão
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quinta-feira, 23 de junho de 2011
Redação FolhaWeb com Agência Estado 
Num país conhecido por trabalhadores que passam muitas horas no escritório, muitos salarymen encontram neste verão uma rara mercadoria: tempo livre. Nestes dias, 7.400 funcionários do governo metropolitano de Tóquio chegam a suas mesas de trabalho, e voltam para casa, uma hora mais cedo que o normal.
É parte de um ambicioso plano para cortar o consumo de energia num momento em que o Japão encara possível escassez de energia após os devastadores terremoto e tsunami que derrubaram uma grande usina nuclear. Começar o trabalho mais cedo significa menos funcionários no escritório ao cair da tarde, horário de pico do uso de energia.
Trabalhando de sábado à quarta
Causado por um terremoto, o tsunami de 11 março que atingiu a costa nordeste do Japão derrubou a usina nuclear de Fukushima Daiichi, prejudicando a produção de energia. Com outras usinas fechadas para manutenção, membros do governo estão preocupados com possíveis blecautes durante este verão.
Para impedir isto, oficiais pedem a empresas e casas ao redor de Tóquio e outras áreas afetadas pelo terremoto que cortem o uso de eletricidade em 15%. Para servir de exemplo, o governo de Tóquio prometeu cortar o uso de energia em 25%, desligando alguns elevadores, reduzindo a iluminação nos gabinetes e colocando os termostatos do governo em nada menos que 27 ºC.
A mensagem do governo se extende atè à moda: Ternos e gravatas pretos estão fora este verão. Em vez disso, conta-se aos funcionários, pense como um morador de Okinawa e vá de roupa casual, com camisas tropicais para fora da calça, calças leves de algodão e até tênis, se quiser.
O programa "Super Cool Biz" tem por objetivo relaxar o código de vestimenta para reuniões políticas e de negócios, de forma que a turma da camisa para dentro possa adotar o visual favorecido na ilha de Okinawa (sul) e pegar leve no ar condicionado.
As sugestões do governo sobre as roupas de trabalho são uma recauchutagem de um programa de 2005 iniciado para combater o aquecimento global. Muitas pessoas inicialmente resistiam a ideia como indigna, mas hoje em dia, dizem membros do governo, camisas pólo, jeans e o visual sem paletó são aceitáveis para reuniões de negócios, e, sim, até para as de membros do governo.
O ministério japonês do Meio Ambiente patrocinou um recente desfile de moda de camisas Kariyushi, a versão de Okinawa da camisa havaiana, uma das quais foi vestida pelo ex-presidente Bill Clinton (1993-2001) em visita recente.
Ainda assim, alguns dos funcionários continuam a desdenhar da roupa casual no local de trabalho, havendo ou não emergência nacional. Muitos se agarram aos velhos guarda-roupas, e trazem leques de papel para enfrentar o calor.


