Japão impõe sanções à Coréia do Norte
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quarta-feira, 05 de julho de 2006
Folhapress 
São Paulo - O Japão impôs ontem uma série de sanções à Coréia do Norte devido ao lançamento no dia anterior de seis mísseis que, segundo o governo japonês, ameaçam a estabilidade e a segurança do Leste da Ásia. ''Seja o que for que a Coréia do Norte esteja tentando alcançar, nada positivo sairá disto'', afirmou o premier japonês, Junichiro Koizumi, referindo-se aos testes com mísseis.
Entre as sanções anunciadas pelo porta-voz do governo, Shinzo Abe, está a proibição de entrada no Japão de funcionários norte-coreanos e das tripulações de navios e aviões da Coréia do Norte.
A balsa de transporte norte-coreana Mangyongbong-92, único transporte marítimo para passageiros entre Japão e Coréia do Norte, foi proibida de atracar nos portos japoneses pelos próximos seis meses.
A barca se dirigia ao porto de Niigata, no noroeste do Japão, quando as sanções foram anunciadas. A tripulação teve que lançar âncora fora do porto, à espera de novas decisões. Segundo Abe, os funcionários norte-coreanos que estão em território japonês serão proibidos de entrar no país novamente se retornarem à Coréia do Norte.
Abe afirmou que o governo japonês está estudando também a possibilidade de proibir o envio de remessas de dinheiro da vasta comunidade norte-coreana residente no país. As sanções foram aprovadas pelo Executivo, reunido emergencialmente, e pelo Conselho de Segurança Nacional.
O Japão também acionou o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que iria se reunir a portas fechadas ontem para discutir a crise asiática dos mísseis.
A reunião foi solicitada pelo embaixador do Japão na ONU, Kenzo Oshima, ao embaixador da França, Jean-Marc de la Sabliere, que ocupa a presidência rotativa do Conselho de Segurança no mês de julho. Na reunião, o Japão deve apresentar um projeto de resolução contra a iniciativa norte-coreana.
O Departamento de Estado norte-americano considerou a iniciativa norte-coreana ''uma provocação'' ainda mais por ter ocorrido no dia da Independência dos EUA e enviou para o Leste da Ásia o seu negociador para assuntos coreanos, o subsecretário de Estado, Christopher Hill.
O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Steve Hadley, comentou, no entanto, que o lançamento ''não representa nenhuma ameaça'' para os Estados Unidos.
O presidente dos EUA, George W. Bush, considerou o lançamento dos mísseis norte-coreanos um ''desafio contra a comunidade internacional'', segundo fontes oficiais da Casa Branca.
As autoridades militares sul-coreanas ordenaram o reforço da vigilância no país, segundo a agência Yonhap. ''O lançamento de mísseis vai piorar as relações intercoreanas e contribuir para o isolamento internacional da Coréia do Norte'', diz a mensagem oficial lida por Suh Choo-Suk, secretário presidencial sul-coreano de Segurança e Política Externa.


