Japão encabeça nova relação da OMS
A Organização Mundial da Saúde, OMS, divulgou ontem, em Genebra, na Suíça, uma nova forma de calcular a expectativa de vida, que considera o estado de saúde da população e os anos de incapacidade, ao invés de contabilizar apenas a idade da morte. Tínhamos necessidade de capturar e monitorar de forma mais contínua todos os processos relativos à saúde da população e não só à sua mortalidade, para melhor ajustar nossas políticas, do contrário acabaríamos nos tornando a Organização Mundial da Morte, declarou à Agência Estado, Rafael Lozano, da OMS.
Pela antiga classificação, os países do topo da lista têm uma expectativa de vida duas vezes maior do que os países do fim da lista, enquanto os novos indicadores apontam diferenças três vezes maiores: além de morrerem mais cedo, as populações de países mais pobres perdem mais anos com doenças graves e sequelas sérias como cegueira, imobilização, surdez, invalidez.
O Japão é o primeiro da lista dos 191 países membros da OMS, com uma expectativa de vida saudável de 74,5 anos e cerca de 7,85% da vida perdida com incapacidades. Os hábitos alimentares com pouca gordura e carnes vermelhas estão entre os principais fatores de longevidade, embora estes hábitos estejam mudando para pior e, em alguns anos, possam tirar o país do topo da lista. Os outros países que compõem a lista dos dez mais são, pela ordem: Austrália (73,2 anos), França (73,1), Suécia (73,0), Itália (72,7), Grécia (72,5), Suíça (72,5), Mônaco (72,4) e Andorra (72,3).
Em último lugar está Serra Leoa, com apenas 25,9 anos de expectativa de vida saudável e 24,55% desta curta vida perdidos com incapacidades. Todos os 25 últimos países são do continente africano, onde a miséria e a Aids são as principais causas da baixíssima expectativa de vida saudável.
A nova classificação desloca os Estados Unidos do topo da lista para a 24ª posição, uma das surpresas importantes do novo sistema de classificação, conforme Christopher Murray, do Programa Global de Políticas para a Saúde da OMS. Basicamente, uma pessoa tem mais chances de morrer cedo ou ficar mais tempo incapacitado se nascer nos Estados Unidos, do que em outros países industrializados. O alto consumo de tabaco, com as consequentes altas taxas de câncer de pulmão; a alta incidência de doenças coronárias; a Aids e as mortes por homicídios foram os principais fatores que empurraram os Estados Unidos para baixo, na lista da OMS.
O Brasil figura num vergonhoso 112º lugar, atrás de países com sérios problemas de miséria, guerra, poluição ou epidemias como Albânia, Bósnia Herzegovina, Paraguai, Colômbia, Uzbequistão, Iuguslávia, Malásia etc.
O Brasil é um país nitidamente dividido entre norte e sul, com regiões como o Estado de São Paulo, onde os índices se equiparam aos 20 países mais saudáveis, e Nordeste ou Norte, com números equivalentes aos países do fim da lista, comentou Lozano. E existe uma disparidade muito grande entre a expectativa de vida de jovens brasileiros do sexo masculino e feminino, com índices alarmantes de mortalidade dos rapazes por Aids, violência e acidentes com motos e carros. Nesta faixa, o Brasil está no segundo pior lugar, nas Américas, atrás apenas do Haiti, que tem sérios problemas com a proliferação da Aids.
Em relação às mulheres, de modo geral, a expectativa de vida e a saúde é melhor do que a dos homens. Nos países mais ricos, a diferença é menor, em relação aos países pobres.





