São Paulo - O Japão deportou sete ativistas chineses ontem, dois dias depois de terem sido detidos por aterrissarem em uma distante ilha disputada pelos dois países. O incidente impulsionou protestos com queimas de bandeiras na China para a libertação dos ativistas.
Os sete chegaram no aeroporto internacional de Shangai no final da noite de ontem (horário local), informou Yu Haize, um colega dos ativistas. A polícia escoltou o grupo ao sair do aeroporto por uma porta lateral, mas não ficou claro se eles estavam ainda presos. O primeiro-ministro Junichiro Koizumi informou que o Japão pretende evitar o agravamento das relações entre os dois países.
''Enquanto agimos de acordo com a nossa lei, nós tomamos decisões para evitar um impacto negativo das relações entre Japão e China'', afirmou Koizumi. As autoridades japonesas prenderam os ativistas por ultrapassarem a fronteira na quarta-feira após o grupo ter aterrissado em uma ilha inabitada.
Os sete afirmam querer chamar a atenção para a reivindicação da China sobre a ilha conhecida como Diaoyu na China e como Senkaku no Japão. O ministro das Relações Exteriores da China, Li Zhaoxing, afirmou que os sete retornaram à China, mas não informou onde foram levados.
Um comunicado do ministério publicado no site da instituição afirmou que o ministro chamou seu colega Yoriko Kawaguchi ontem para discutir as ''detenções ilegais' de cidadãos chineses.
Outro comunicado divulgado pelo porta-voz do ministério afirmou que os ativistas receberam ''tratamento desumano' enquanto estiveram presos. Mas a China informou que pretende resolver a disputa sobre as ilhas por negociações.
Sob as leis japonesas, a polícia tinha dois dias de prazo ou para deportar os ativistas ou para detê-los para continuar os interrogatórios por 21 dias antes de decidir se o grupo seria processado por violação das leis de imigração do Japão.
Cerca de 50 pessoas protestaram em frente à Embaixada do Japão em Beijing, carregando cartazes exigindo que as ilhas pertencessem ao território chinês.
O Japão tomou posse das ilhas, localizada entre Taiwan e Japão, quando derrotou a China na guerra de 1895. Os EUA as teve sob jurisdição durante a Segunda Guerra Mundial até 1972, quando voltaram às mãos do Japão. A China afirma que a reivindicação da ilha vem de séculos.
O incidente aconteceu em um período que as relações entre Tokyo e Beijing já estavam tensas por causa da visita anual de Koizumi ao santuário de guerra que as nações asiáticas afirmam que glorifica o passado militarista do Japão.
A disputa deve inflamar de novo: outros ativistas chineses estão planejando aterrissar na ilha de novo amanhã.
Observadores internacionais acham inevitável o agravamento das relações entre Japão e China. Mas tudo vai depender da desdobramento da crise e da posição do governo chinês. De qualquer forma, a queima de bandeira sempre é uma atitude hostil, considerado um ato forte de agressão, por mais que o governo japonês queira comtemporizar a situação.

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