Associated Press
De Tóquio
Ansiosos por evitar um vácuo na liderança política do país, os dirigentes japoneses designarão hoje um sucessor para o primeiro-ministro Keizo Obuchi, de 62 anos, que está entre a vida e a morte depois de ter sofrido um derrame cerebral no domingo.
Como prevê a Constituição, em caso de grave impedimento do chefe de governo, o gabinete renunciou ontem para permitir a escolha do sucessor, que segundo as previsões, deverá ser o ex-jornalista Yoshiro Mori, de 62 anos, secretário-geral e número 2 do Partido Liberal Democrático (PLD), que tem maioria relativa no Parlamento.
Os membros do PLD se reunirão hoje pela manhã para eleger seu novo presidente que, segundo a tradição, se converterá em primeiro-ministro. À tarde, os deputados devem aprovar a escolha.
Se sua nomeação for confirmada, Mori deverá manter quase todos os atuais ministros nomeados por Obuchi e convocar as próximas eleições legislativas. Como qualquer novo governo será considerado interino se não for validado por uma eleição, é possível que a convocação seja antecipada para maio ou junho. As eleições deveriam ser realizadas em 19 outubro, no fim da legislatura, mas um líder da coalizão de governo indicou que o Parlamento poderá ser dissolvido antes de o país abrigar a cúpula do G-8 (os sete países mais ricos do mundo e a Rússia), prevista para julho em Okinawa.
Os preparativos para a cúpula eram algumas das principais preocupações de Obuchi, além da erupção de sexta-feira do vulcão Usu, na Ilha de Hokkaido, em seus últimos dias de trabalho. Apesar de ter sido divulgada ontem pela agência Kyodo a notícia da piora do estado de saúde de Obuchi, o primeiro-ministro interino, Mikio Aoki, desmentiu a informação sobre a morte cerebral do líder de governo. ‘‘Obuchi continua em coma e com respiração artificial’’, declarou Aoki.
A filha de Obuchi, Yuko, de 26 anos, voltou ontem de Londres, onde estuda, e juntou-se a seus dois irmãos e a sua mãe, Chizuko, que estão desde o domingo no hospital em que ele está internado em Tóquio.
O clima de drama coletivo no Japão não deixou tempo nem espaço para as tradicionais disputas entre os membros da liderança do PLD, que há quase 50 anos domina o panorama político japonês. Koichi Kato, ex-secretário-geral e chefe de uma facção do PLD disse que ‘‘em um momento como este não deve haver discórdia entre os companheiros do partido’’.
Por sua vez, Takenori Kanzaki, líder do Partido Novo Komeito - que com o PLD e o Partido Conservador forma a coalizão de governo -, assegurou que vai colaborar com Mori, cuja força parece residir na fidelidade demonstrada a Obuchi desde a formação de seu governo em 1998.
Os meios econômico-financeiros se mostravam serenos e os mercados japoneses permaneceram em calma depois da renúncia do governo de Keizo Obuchi, ao assegurar-se que a atual política econômica da segunda maior potência mundial não mudará.
O ministro de Finanças, Kiichi Miyazawa, de 80 anos, veterano da política nipônica, disse que ‘‘não vale a pena preocupar-se’’ com a administração econômica do país, pois não existem elementos que causem o temor de perturbações.

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