Japão dá primeiro passo para assumir ações militares na Ásia
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terça-feira, 27 de abril de 1999
ANSA 
O Japão deu ontem o primeiro passo, com o apoio dos Estados Unidos, em direção a um cenário no qual suas tropas poderiam ser utilizadas em operações em caso de guerra na região da Ásia-Pacífico.
Isto foi resultado da aprovação de uma lei na Câmara baixa do Parlamento japonês que define as linhas mestras da cooperação militar com Washington. Elas reservam às forças de Tóquio um papel militar que não havia tido desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Toda a esquerda, e em particular os comunistas e os social-democratas, protestaram vigorosamente contra a lei.
Centenas de manifestantes se reuniram desde a noite de segunda-feira até ontem na frente do Parlamento para pedir, em vão, que a medida não fosse aprovada, já que se teme que ela possa arrastar o Japão para um novo conflito bélico.
A reação à aprovação da lei por parte da China foi duríssima, já que a potência asiática está preocupada que a mudança no eixo militar Japão-EUA seja dirigida para uma possível guerra por Taiwan.
Este pacto - afirmou um porta-voz da chancelaria chinesa - vai contra os tempos, cria um novo fator de instabilidade e um impacto negativo sobre a segurança na Ásia.
A legislação prevê que as tropas nipônicas sejam empregadas em operações de apoio logístico às americanas em caso de guerra em áreas ao redor do Japão.
Com este fim, os militares japoneses serão autorizados a usar as armas em defesa própria.
A agência de notícias japonesa Kyodo sublinhou as ambiguidades existentes na lei, e perguntou se nestas circunstâncias as forças japonesas podem efetivamente evitar ações de combate.
A lei foi aprovada com os votos do Partido Liberal Democrático (PLD), do primeiro-ministro Keizo Obuchi, do pequeno Partido Liberal, que compõe a coalizão de governo, e do Partido Novo Komei, o segundo maior da oposição.
Sua aprovação na Câmara alta é dada como certa, já que os três partidos juntos detêm maioria absoluta.
A lei permite que o governo peça a aprovação do parlamento para o emprego de tropas só a posteriori, se existe uma situação de emergência.
Por seu lado, Taiwan teve uma reação entusiasta, quase reforçando as preocupações de Pequim.
Um dirigente do Partido Nacionalista no poder, Chen Peng Jen, disse estar certo de que o pacto também está dirigido para esta área da Ásia que é de importância crucial para o Japão.
Obuchi, que amanhã inicia uma visita aos Estados Unidos, conseguiu a aprovação da lei assegurando o apoio do Partido Novo Komei.


