Japão alerta para facilidade da fabricação
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quinta-feira, 11 de outubro de 2001
Françoise Kadri e Nao Kaneko<br> France Presse<br> De Tóquio 
Especialistas japoneses em bioterrorismo informaram ontem que a seita Aum fez experiências com o antraz e advertiram da facilidade do uso e fabricação desta arma biológica. ''O antraz é bastante fácil de conseguir. A bactéria é estável e fácil de transportar. Para qualquer um que tenha conhecimentos de bacteriologia, não é difícil reproduzi-la'', explicou Nobuhiko Okabe, diretor do Centro Nacional de Controle de Doenças Infecciosas.
Keiichi Tsuneishi, professor da Universidade de Kanagawa e especialista em armas biológicas e químicas, também advertiu da facilidade da utilização do bacilo. ''É fácil reproduzir esta bactéria numa temperatura fixa. Quando tem forma de esporos, pode ser uma arma eficaz e manter-se no ar inclusive durante um ou dois anos'', afirmou Tsuneichi.
''Às vezes, as zonas contaminadas ficam interditadas durante 45 anos'', afirmou, ressaltando que a principal dificuldade é transformar o bacilo em esporos. ''Encontra-se muito no solo, o que pode ser um meio de obtê-lo, mas suspeita-se que a Aum roubou de um laboratório. A chance do bioterrorismo é forte quando os laboratórios não são rigorosos no seu funcionamento'', comentou.
''Não há medidas que possam prevenir uma contaminação (por antraz ou bacilo do carbúnculo). Uma vez que sua presença é detectada, as zonas de perigo devem ser isoladas. A vacina que permite aumentar as defesas do sistema imunológico só funciona depois de várias semanas'', advertiu o professor Tsuneichi.
Segundo os especialistas, há dois tipos de bacilo do carbúnculo, o que afeta as vias respiratórias e o que entra no organismo através da pele por um ferimento mal cuidado. No primeiro caso, mesmo que se use antibióticos, o risco de vida é superior a 50%, enquanto no caso do bacilo epidérmico, a probabilidade de morte é de 10% a 20%, afirmou Tsuneichi.
''O registro de três pessoas contaminadas ao mesmo tempo na Flórida é muito raro, pois o bacilo não tem um poder de contágio tão forte. São necessárias 20 mil bactérias para matar um animal. Aparentemente, nos EUA trata-se de um caso pulmonar, o que quer dizer que as vítimas respiraram o bacilo'', ressaltou o doutor Tsuneichi.


